BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 12 de setembro, 2003 - 21h26 GMT (18h26 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Negociadores tentam romper impasse em Cancún
Agricultores têm dominado os protestos em Cancún
protestos na omc

As negociações na reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Cancún, no México, vivem um suspense, e os negociadores tentam romper o impasse sobre subsídios agrícolas.

No terceiro dia de discussões, os Estados Unidos e a Europa estão em choque com o bloco de países em desenvolvimento que querem mudar as regras de negociações comerciais.

O chamado G-21 (grupo de países em desenvolvimento liderado por Brasil, Índia e China) quer um profundo corte na ajuda que os países ricos dão a seus agricultores.

Para EUA e UE, os países em desenvolvimento precisam concordar em fazer reformas mais amplas legais e de comércio em troca de quaisquer concessões na agricultura.

Poucos avanços

Observadores dizem que há poucas chances de avanços em outros temas em Cancún até que esse esteja resolvido.

Mas negociações até tarde da noite na quinta-feira avançaram pouco, segundo a OMC.

"Eu caracterizaria a discussão como sendo uma em que não houve mudanças verdadeiras, ou mudanças de grande magnitude", disse o porta-voz da OMC, Keith Rockwell.

Segundo ele, o ministro de Comércio e Indústria de Cingapura, George Yeo, que tem a função de reduzir as diferenças, tinha a esperança de divulgar novas propostas ainda nesta sexta-feira.

Ministros representando 146 países-membros da OMC têm até domingo para superar diversos obstáculos que estão impedindo avanços para a conclusão de um novo acordo de comércio global.

Abertura de mercados

Na quinta-feira, a delegação americana (liderada pelo representante comercial dos EUA, Robert Zoellick) foi acusada de atrair países menores com incentivos comerciais para que saiam do G-21 - algo que foi negado com veemência.

Mas negociadores dos EUA e da UE, que entre eles têm diferenças sobre reformas agrícolas, sublinham que os países do G-21 ainda precisam dar a conhecer o que querem fazer para abrir seus próprios mercados.

Eles também enfatizam que a posição do G-21 não reflete a de todos os países em desenvolvimento.

A delegação americana disse que está disposta a cortar subsídios agrícolas e permitir maior acesso ao seu mercado, se outros países fizerem o mesmo.

O comissário (equivalente a ministro) de Comércio da União Européia, Pascal Lamy, disse que a UE - que se opunha à abolição de subsídios a exportações - agora está preparada para negociar com o G-21 em cima de uma lista de produtos sobre os quais os subsídios poderiam ser removidos.

"Eles precisam apresentar suas demandas", disse ele, sublinhando que a UE está ainda preparada para mostrar flexibilidade nas negociações.

Comentários

No entanto, alguns observadores insistem que os países ricos estão trabalhando por trás do palco para minar a posição do G-21.

"Os EUA e a UE estão fazendo um show como os bons meninos, mas nos bastidores, a pressão está alta".

Se as negociações fracassarem, isso é uma boa notícia. Poderia abrir as portas para um comércio mais sustentável", disse Alexandra Wandel, da ONG Friends of the Earth.

Tais comentários foram classificados como "incrivelmente inúteis" e "auto-complacentes" por um delegado europeu, que pediu para não ser identificado.

'Desesperador'

Um porta-voz da delegação do Reino Unido disse que ainda era muito cedo para eliminar Cancún.

"Achamos que comentários extremamente negativos de algumas pessoas são extremamente desesperadores".

"É um pessimismo em excesso falar nesses termos nessa fase ainda inicial", disse ele a BBC News Online.

Segundo ele, haverá algumas negociações duras nas próximas 48 horas, mas o Reino Unido permanecia convencido que um acordo sobre subsídios agrícolas seria fechado.

A subsistência de nações mais pobres - e o futuro da rodada de negociações de Doha - dependem de um bom resultado, na sua avaliação.

Temas de Cingapura

Também estão bloqueando os avanços em Cancún os chamados temas de Cingapura - investimento, políticas de competição, medidas de facilitação de comércio e compras governamentais.

Enquanto Japão, Canadá e UE estão pressionando por negociações na OMC sobre esses temas, países em desenvolvimento dizem que o momento não é apropriado.

Eles se opõem particularmente à fórmula de políticas da OMC que governam investimentos entre países, temendo que tais regulamentações vão beneficiar empresas multinacionais às custas de suas próprias indústrias.

NOTÍCIAS RELACIONADAS
LINKS EXTERNOS
A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade