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Corrupção e intimidação definem regras da OMC, diz livro
As regras que governam a economia global estão sendo feitas em um clima de medo, corrupção e intimidação, de acordo com um livro lançado em Londres nesta terça-feira. Behind the Scenes at the WTO: The Real World of International Trade Negotiations (Nos bastidores da OMC: O Verdadeiro Mundo das Negociações de Comércio Internacional) está sendo lançado cerca de uma semana antes do início da 5ª Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Cancún, no México. Os autores, os jornalistas Fatoumata Jawara e Aileen Kwa, dizem que compilaram informações através de entrevistas com embaixadores de mais de 30 países na OMC e com funcionários da própria organização, que conta com 146 países-membros. Eles se concentraram nas negociações realizadas na última reunião da OMC, realizada em Doha, no Catar, em 2001. "Qualquer país que tivesse um sistema político que funcionasse como a OMC funcionou antes, durante e depois de Doha seria não apenas condenado pela comunidade internacional por ser antidemocrático e corrupto, mas também enfrentaria uma ameaça real e constante de revolução", dizem os autores. "Nenhum país desenvolvido pensaria em conduzir seu governo dessa forma. Mesmo assim, eles estão satisfeitos em explorar o sistema e defendê-lo contra pressões para reformas democráticas no nível internacional", concluem Jawara e Kwa. 'Informações erradas' Cristina Parsons, do World Development Movement, disse que o livro conta casos reveladores. "O secretário da OMC geralmente se coloca ao lado dos países ricos e às vezes dá informações erradas aos países pobres para que mudem suas posições", afirma Parsons. "Por exemplo, disseram ao embaixador da delegação do Quênia que a Índia mudou de posição numa questão determinada. Então, o Quênia também mudou sua posição. Existe esse tipo de desinformação." Segundo ela, não há nenhum exemplo de intimidação envolvendo o Brasil. "Em outras ocasiões, a forma de coerção é a promessa dos Estados Unidos a países mais pobres de que eles poderão obter mais concessões comerciais americanas se derem seu apoio às posições dos Estados Unidos", diz Parsons. Mas a representante do World Development Movement busca manter algum otimismo em relação à reunião de Cancún. "O que estamos vendo agora e que não vimos antes de Doha é que há cada vez mais embaixadores dos países pobres que vêem possibilidade de enfrentar os países ricos, de dizer 'não'", afirma ela. "Nós esperamos que os desejos dos países pobres sejam respeitados pelos países ricos. Por exemplo: 60 países do sul declararam que não querem ver uma expansão da agenda da OMC. Mas os países do norte seguem apoiando novas questões, acordos sobre investimentos. Não escutam as demandas dos países pobres." "Nós, do World Development Movement, queremos que os países desenvolvidos respeitem os outros", diz Parsons. A pesquisa para a elaboração do livro, publicado pela Zed Books, contou com o apoio das ONGs Action Aid, Cafod, Christian Aid, Oxfam, Save the Children e World Development Movement. |
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