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Caio Blinder: O emprego de Bush
Com o final do verão ao norte, a maratona com vistas às eleições presidenciais americanas de novembro de 2004 vai esquentar agora em setembro. E o candidato à reeleição George W. Bush precisa correr bastante, não apenas para reaquecer a maior economia do mundo, mas também para animar milhões de americanos que estão desempregados ou simplesmente tentando entrar pela primeira vez no mercado de trabalho. Bush não é um estudioso muito profundo de história, mas não é necessário ir muito longe para traçar os paralelos e visualizar os perigos. O exemplo é familiar. O pai deste Bush era um presidente muito popular (chegou a ter 91% de aprovação popular) após vencer a primeira Guerra do Golfo Pérsico, em 1991. Vitória fugaz. Em meio às preocupações dos americanos com a situação econômica, D. George 1º foi derrotado nas eleições de 1992 pelo interiorano político democrata Bill Clinton. Desgaste Após capitalizar como pôde o sumiço de Saddam Hussein, Bush sofre um desgaste natural nas pesquisas. Outro sinal de perigo na esquina: preocupações populares com atentados terroristas e segurança nacional cedem lugar a sobressaltos com a economia e insegurança no mercado de trabalho. Charles Cook, o antenado editor do Cook Political Report, que rastreia tendências eleitorais, diz que Bush deve apresentar ao eleitorado bons resultados econômicos não mais tarde do que dentro de uns seis meses porque a opinião pública leva um tempo para sentir que as coisas melhoraram. Em 1992, por exemplo, a economia já estava em processo de recuperação antes das eleições, mas o então presidente Bush não conseguiu o crédito. Há algumas boas notícias para o Bush de hoje. Relatórios econômicos sugerem que o crescimento no atual trimestre pode se aproximar dos 5% (em contraste à anêmica taxa de 2% dos últimos tempos). Em julho, a produção industrial cresceu pelo terceiro mês consecutivo, as exportações saltaram e as vendas no varejo estão vigorosas. Mas Mark Zandi, do site Economy.com, adverte que uma decolagem vai fracassar se persistir o atoleiro no mercado de trabalho, com uma taxa de desemprego que teima em ficar nos 6%, alta para os padrões americanos. Desemprego A economia americana perdeu 2,5 milhões de empregos desde a posse de Bush, em janeiro de 2001. E pensar que nos oito anos da era Clinton foram gerados 22 milhões de empregos... O economista Robert Kuttner, editor da revista American Prospect, calcula que a taxa real de desemprego já superou 10% se forem incluídos os "desencorajados" e aqueles que fazem "bicos" e gostariam de trabalho em tempo integral. Somente para acompanhar o crescimento populacional, a economia americana deveria gerar 1 milhão de empregos por ano. A perda de empregos é inquietante para George W. Bush, mas é precipitado estabelecer uma associação mecânica com perda de votos. De qualquer forma, o presidente que está terminando suas "férias de trabalho" no rancho do Texas pode refletir bastante nas caminhadas e cavalgadas sobre o que precisará fazer para segurar o seu emprego até janeiro de 2009. |
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