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Atualizado às: 28 de agosto, 2003 - 20h34 GMT (17h34 Brasília)
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Análise: Na defensiva, Bush tenta retomar apoio da opinião pública

O presidente Bush
Pesquisa mostra queda no apoio a Bush

A Casa Branca está lançando uma nova guerra para ganhar de volta a opinião pública, que parece estar se esvaindo.

O presidente George W. Bush aproveitou um discurso destinado a veteranos de guerra para lançar um "grito de união" aos americanos com a mensagem de que a "dura tarefa no Iraque vale a pena".

Suas declarações de que as tropas americanas estão tendo um papel vital não apenas para os iraquianos, mas para a segurança dos Estados Unidos, foram seguidas de discursos na mesma linha do secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, e da conselheira para Segurança Nacional, Condoleezza Rice.

Mas as últimas pesquisas não são favoráveis a Bush e sua equipe. Uma delas, feita para a revista Newsweek , indicou que mais eleitores preferem ver outra pessoa ganhar um mandato na Casa Branca à reeleição de Bush.

Iraque

Separadamente, o secretário da Justiça, John Ashcroft, está rodando o país para promover as suas polêmicas medidas antiterror, o chamado Patriot Act.

As pesquisas mostram uma preocupação especial com a questão do Iraque. Mas a situação iraquiana é apenas um dos pontos que está piorando a imagem do governo, segundo o professor Leonard Steinhorn, especialista em política da American University.

Ele diz que a opinião pública está voltando à ambivalência anterior aos atentados de 11 de setembro, antes de o presidente Bush se tornar o líder moral da nação ameaçada por terroristas e antes de se tornar um líder guerreiro no Afeganistão e no Iraque.

"O apoio ao presidente Bush tende a ser mais circunstancial do que pessoal", disse o professor Steinhorn. "A guerra no Iraque e a rápida vitória ajudaram a lustrar o brilho em torno dele."

"Mas agora as mesmas questões que o perseguiram antes, em relação à direção que ele está dando ao país, principalmente as políticas que ele supervisiona, elas estão começando a voltar."

'Percepções'

Mesmo que as pesquisas ofereçam apenas uma imagem momentânea da opinião, elas servem como medida de quanto as percepções mudaram na cabeça das pessoas, segundo o professor Steinhorn.

O efeito "gota a gota" das notícias quase diárias de mortes de americanos teriam impacto na visão das pessoas sobre a ação no Iraque e sobre o papel de Bush.

E, enquanto outros assuntos como o fato de que não foram encontradas armas de destruição em massa até o momento e as dúvidas sobre a inteligência usada para justificar a invasão recebem menos atenção do que na Grã-Bretanha, as questões atormentam a população.

Outros assuntos, como o déficit do governo federal, a economia em geral e o meio ambiente, podem vir à tona nos meses que antecedem a eleição presidencial.

O professor Steinhorn diz que há coisas que o público claramente admira na personalidade de Bush, como a sua imagem de líder decidido e de homem em controle quando a nação precisa disso.

Vantagens e desvantagens

Mas essas vantagens podem se tornar desvantagens. "Ele não pode controlar o fato de que nossos soldados estão morrendo, ele não pode controlar o fato de que as taxas de juros vão subir por causa do déficit e ele não pode controlar o que está acontecendo no Afeganistão."

As chances de reeleição de Bush também serão afetadas de acordo com a força da oposição, disse o professor Steinhorn, que já fez assessoria para várias campanhas democratas à Presidência.

Ainda vai demorar meses para os democratas definirem o seu candidato para a Casa Branca, e as circunstâncias podem mudar novamente.

Mas a aura de invencibilidade eleitoral já abandonou Bush, e a situação no Iraque poderia piorar ainda mais a sua imagem.

Em um forte editorial na quarta-feira, o jornal The New York Times afirmou que a morte de soldados depois do fim da guerra já tinha ultrapassado o número de mortos durante o conflito.

"Essa estística sombria tira o brilho do momento em que Bush declarou o fim da guerra", disse o editorial.

O jornal fez um apelo ao governo para que busque mais envolvimento de outros países e organizações no Iraque, o que tornaria os americanos mais dispostos a apoiar a operação de longo prazo tão necessária ao país.

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