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Reforma encarece atendimento médico na Alemanha
Líderes do governo alemão e da oposição chegaram a um acordo nesta sexta-feira sobre a reforma do setor de saúde, que vai encarecer o atendimento para a população do país. Os planos da ministra da saúde Ulla Schmidt fazem parte da uma grande reforma da Previdência alemã. Entre as medidas está a introdução de uma taxa de US$ 10 (cerca de R$ 30) para cada primeira consulta feita em um trimestre e para consultas com especialistas feitas sem indicação de um clínico-geral. Internações e remédios também vão custar mais caro. Quem precisar de dentaduras e pontes vai ter que fazer um seguro adicional. O sistema de saúde alemão é um dos mais eficientes do mundo, mas está enfrentando uma grave crise. Crise Na Alemanha o seguro-saúde é obrigatório e acessível para todos. O seguro inclui consultas, exames, internações, livre escolha de médico e de hospital. O sistema se baseia na solidariedade: quem é jovem e saudável ajuda a pagar os custos de pessoas mais velhas, doentes e crianças. Todos os assalariados contribuem com cerca de 14% de seu salário, e o governo assume os custos de aposentados e desempregados. Porém, o envelhecimento da população encarece o atendimento médico, e o alto desemprego obriga o governo a arcar com os custos de saúde de milhões de pessoas. As empresas de seguro saúde semi-estatais, que são fortemente subsidiadas pelo Estado, já acumulam um déficit de US$ 3 bilhões (cerca de R$ 9 bilhões). Isso obrigou o governo alemão a fazer cortes na saúde. A reforma visa diminuir o déficit público alemão, mas há quem duvide de sua eficiência. O doutor Bernd Thoma, clínico-geral com consultório nos arredores de Frankfurt, diz que está convencido de que o nível da medicina alemã vai continuar alto, mas admite que a reforma está causando insegurança entre seus pacientes. Thoma, que é especialista em doenças tropicais, diz que o lado bom da reforma é que ela poderá baratear os remédios, que são muito caros. Cerca de 90% dos alemães são associados a seguros-saúde semi-estatais, mas a popularidade de empresas totalmente privadas está crescendo. Suas tarifas favorecem principalmente quem é solteiro e ganha bem. Isso também ajuda a desestabilizar o sistema, já que o que sobra para as empresas semi-estatais são, cada vez mais, famílias, aposentados e doentes crônicos. O jornalista Hanno Bender é um exemplo de paciente que mudou recentemente para uma empresa particular de saúde. Bender, que é solteiro, diz que economizou cerca de US$ 200 por mês (cerca de R$ 600) ao passar de um seguro saúde semi-estatal para uma empresa privada. A reforma do setor de saúde será apresentada ao parlamento no dia 11 de setembro, e as medidas deverão entrar em vigor a partir do ano que vem. O acordo anunciado pelo governo e pela oposição torna quase certa a sua aprovação. No entanto, a ministra da saúde alemã, Ulla Schmidt, já admitiu que muito provavelmente uma reforma da reforma será necessária – no mais tardar, já no ano de 2010. |
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