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Imigrantes turcos vão na contramão da crise alemã
Em plena crise econômica os imigrantes – em especial, a comunidade turca – estão ajudando a Alemanha a criar mais empregos. Um estudo do banco de desenvolvimento alemão DTA mostra que mais de 5% dos estrangeiros residentes na Alemanha fundaram empresas no ano passado – entre os alemães, esse percentual ficou só em pouco mais de dois por cento. Movidos pela coragem ou pela falta de perspectiva no mercado de trabalho, cada vez mais estrangeiros decidem abrir seus próprios negócios na Alemanha, movimentando bilhões de euros e ajudando a economia. A comunidade turca é a maior entre os estrangeiros da Alemanha, com cerca de dois milhões de pessoas, e os turcos estão à frente de outros grupos na fundação de pequenos negócios. O restaurante Kebabland, no centro de Frankfurt, é um exemplo de uma empresa fundada recentemente por um imigrante. Para o dono, o turco Mehmet Balci, a abertura do restaurante foi a única saída do desemprego. Balci disse à BBC que trabalhava na construcão, mas acabou sendo demitido. Seus dois filhos, que trabalham atrás do balcão do pequeno restaurante, também não conseguiram emprego. Por isso ele resolveu abrir seu próprio negócio. Faturamento Mais de cinquenta mil turcos são donos de empresas na Alemanha, com um faturamento total estimado em 25 bilhões de euros ao ano. Eles tem em sua maioria pequenos negócios como restaurantes, quitandas e lojas de armarinho. Mas a geração mais nova já começa a investir em outros ramos, como telefonia e internet. Os empresários turcos reclamam que, apesar de terem vontade e dinheiro para investir, muitas vezes são discriminados pelos bancos na hora de pedir empréstimo para abrir um negócio. "Eles (os bancos) têm medo que nós fujamos para a Turquia", diz Ahmet Güler, presidente da Federação Européia de Empresários Turcos, sediada na Alemanha. Stefanie van Laue, do Centro de Estudos sobre a Turquia, localizado na cidade alemã de Essen, diz que a mentalidade de negócios turca difere muito da alemã. "Os turcos não tem medo de fracassar nos negócios – ao contrário dos alemães, para quem um insucesso é algo difícil de superar", afirma van Laue. A especialista diz que muitos turcos contam com a ajuda da família para juntar o capital inicial necessário para abrir sua empresa. Consumidores Estima-se que só na Alemanha há 615 mil lares turcos – um enorme mercado consumidor. Originalmente as empresas dos imigrantes só supriam essa comunidade, mas elas têm conquistado fregueses alemães. As quitandas turcas são conhecidas pela qualidade de seus produtos, e o sanduíche turco de carne, o Kebab, já quase virou um prato típico alemão. Em meio à grave crise econômica que aflige a Alemanha, os pequenos empresários turcos também reagem com muito trabalho. Muitos deles não tiram férias por anos seguidos e chegam a trabalhar dezesseis horas por dia – algo que, apesar da crise, poucos alemães estão dispostos a fazer. |
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