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Schröder quer aposentadoria só aos 67 anos
O chanceler alemão, Gerhard Schröder do Partido Social-Democrata (SPD, na sigla em alemão) está propondo, entre outras mudanças no sistema de previdência, o aumento da idade mínima para aposentadoria de 65 para 67 anos. A mudança de postura do SPD, que sempre insistiu na manutenção das conquistas sociais e era contra cortes no setor, seria resultado da atual crise econômica e do fato de a população alemã estar ficando cada vez mais velha. No começo deste ano, Schröder apresentou a Agenda 2010, um pacote de medidas que prevê, além do aumento na idade mínima da aposentadoria, cortes no seguro-desemprego e no seguro-saúde e mais pressão sobre desempregados para que eles voltem a trabalhar. Assim como o presidente Lula, o chanceler Schröder é um líder político de esquerda que enfrenta resistência em seu próprio partido contra as reformas. Lula X Schröder As semelhanças não param por aí: assim como Lula, Schröder também está lutando contra a influência de grupos poderosos, como sindicatos e os funcionários públicos. Na Alemanha, como no Brasil, o funcionalismo público está sofrendo com as reformas. O alvo do governo alemão não são os inativos, mas os servidores ativos: a administração federal decidiu cortar a gratificação de férias e reduzir o 13º salário dos servidores a partir do ano que vem para diminuir o déficit público. O Judiciário também será afetado pelas medidas. Rüdiger von Woikowsky, porta-voz da associação alemã de funcionários públicos, disse em entrevista à BBC que não é de hoje que o Estado alemão está poupando dinheiro às custas dos servidores. Jornada maior Nos últimos anos, a jornada de trabalho de muitos servidores foi ampliada, e aumentos de salário foram adiados, disse o porta-voz. A aposentadoria dos servidores ainda não foi tocada. Entretanto, os funcionários públicos alemães que se aposentam antes da idade mínima oficial de 65 anos têm atualmente grandes prejuízos financeiros. Como no Brasil, os planos do governo estão sendo duramente criticados pelos sindicatos, que eram aliados do governo. No entanto, os protestos contra a Agenda 2010 não têm sido tão fortes quanto na França, onde milhares de pessoas saíram às ruas. Os sindicatos alemães estão divididos e enfraquecidos por causa de uma greve mal-sucedida na ex-Alemanha Oriental poucas semanas atrás. Entre os que apóiam a reforma do chanceler Schröder está o Fundo Monetário Internacional (FMI). 'Rumo certo' Os economistas do FMI elogiaram a Agenda 2010 em um relatório, dizendo que o governo alemão está no rumo certo. A reforma no Brasil e a tentativa do governo Lula de acabar com os privilégios no serviço público são vistas com bons olhos pelos analistas na Alemanha. A economista alemã Barbara Fritz, do Instituto de Estudos Ibero-Americanos de Hamburgo, disse que o Brasil está no caminho certo e que tem até um papel de pioneiro na reforma da previdência. Acho muito positivo o fato de o governo Lula querer acabar com os privilégios do funcionalismo, disse a economista. Outro fato positivo é que o governo não recorreu à privatização para reformar a previdência, como no Chile e, em parte, na Argentina. Isso pode servir de exemplo para muitos outros países no futuro, concluiu. |
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