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Analistas elogiam decisão de Lula de adiar visita à África
A primeira reação do mercado externo ao adiamento da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à África foi negativa. A cotação dos C-Bonds (títulos da dívida externa brasileira) chegou a cair dois pontos no exterior. Mas para analistas em Nova York ouvidos pela BBC Brasil, a decisão de Lula foi boa e mostra o comprometimento do governo com a aprovação da reforma da Previdência. A reação inicial está sendo atribuída à visão de que o adiamento da viagem pode indicar que os problemas são piores do que imaginavam os investidores, e o humor pode melhorar se houver avanços nas negociações. Recuo "O mercado pode ter interpretado que a decisão indica uma situação mais complicada do que aparenta", explicou Nuno Camara, economista para América Latina do Dresdner Kleinwort Wasserstein (DrKW). Camara lembra que é comum os investidores aproveitarem determinados momentos para vender seus papéis e realizar lucro, o que poderia explicar a queda dos C-Bonds. "Mas eu vejo o adiamento como algo positivo, especialmente se lembrarmos que quando o presidente esteve na Europa, a reforma sofreu um revés no Congresso", acrescentou. Camara se refere ao recuo temporário da posição do governo no início de julho. Durante os dias em que Lula esteve viajando, os negociadores do governo chegaram a aceitar a manutenção da paridade e integralidade das aposentadorias para os novos servidores públicos, mas depois retornaram à proposta original. Expectativa Para Enrique Hidalgo-Noriega, analista de América Latina da consultoria Eurasia Group - especializada na avaliação dos reflexos políticos sobre a economia -, a agenda de Lula está cheia demais e é bom que ele fique mais tempo em Brasília, tratando da reforma. "Mas é importante que, no final, o adiamento da viagem leve a avanços no processo de votação das reformas", explica Hidalgo-Noriega. No mercado externo, domina a expectativa de que as reformas devem ser aprovadas até meados de outubro ou novembro, embora a influente agência de risco Standard & Poor's (S&P) esteja prevendo a aprovação até o início de 2004. "A expectativa é que o processo de votação das reformas continue e haja avanços", diz a diretora da S&P, Lisa Schineller. Hidalgo-Noriega observa que a maioria dos analistas antevia dificuldades nas negociações, porque as reformas, especialmente a da Previdência, são controversas. "O momento é sério, pois há uma percepção de parte dos governadores de que o governo não está cumprindo as promessas", avalia. Sentimento Nas últimas semanas, o risco Brasil subiu da casa dos 700 pontos para 800 pontos, mas Schineller considera que essa subida reflete um movimento geral dos bônus de governos no exterior. De acordo com a diretora da S&P, o risco aumentou para todos os papéis de emergentes. "No caso do Brasil, os mercados estão percebendo mais as pressões políticas, que se tornaram mais evidentes. No entanto, os índices de aprovação do governo e do presidente ainda estão muito altos", diz Schineller. Para ela, as variações recentes no risco e na cotação dos C-Bonds mostram apenas que o mercado está ficando mais realista depois da euforia do início do ano. "Os mercados estiveram muito assustados com Lula em meados do ano passado, depois, muito entusiasmados até recentemente, e agora estão ficando mais realistas", observa Hidalgo-Noriega. Ele observa que os mercados começam a perceber que o governo vai continuar tentando aprovar as reformas, mas que o processo não é fácil. |
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