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Especialistas fazem avaliação positiva do governo Lula | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Um painel de analistas reunidos nesta quinta-feira pela Canning House – centro de estudos para América Latina, Espanha e Portugal, em Londres – chegou a uma conclusão otimista sobre os seis meses do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e as perspectivas para o futuro. A previsão dominante é que o Brasil deve entrar em um círculo virtuoso a partir do próximo ano, com inflação e juros em queda, redução do chamado risco país e retomada do crescimento. Esse cenário só seria ameaçado por um choque externo de grande magnitude, que viesse a interromper os fluxos de recursos para o país antes de um ajuste que permita aumentar a parcela doméstica de investimentos. Participaram desse painel, Leslie Bethell, diretor do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Oxford; o economista André Lara Rezende, atualmente pesquisador na Universidade de Oxford; Fiona Macaulay, professora do Institute of Latin American Studies da Universidade de Londres; Alexandre Parola, diplomata brasileiro e pesquisador em Oxford; e Richard Lapper, editor de América Latina do jornal Financial Times. Pressões sociais Esses especialistas consideram que os primeiros seis meses de governo se caracterizaram por um trabalho do presidente Lula e de sua equipe para recuperar a confiança. Na avaliação geral, o governo conseguiu tirar o país "da beira do calote" e até alcançar um "excelente começo". Uma das principais razões para esse otimismo é a avaliação de que a equipe econômica fez o diagnóstico correto de que o principal problema da economia brasileira é o elevado déficit fiscal que perdurou pela maior parte do governo anterior. Os bons resultados até agora não significam que o país saiu do atoleiro, segundo eles, pois os juros ainda estão muito elevados, a atividade econômica está em queda e o desemprego extremamente elevado, e em alta. Essa situação reforça a oposição à política do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, percebido como o arquiteto da agenda econômica do governo, na avaliação do painel. Os terríveis problemas sociais no país – que já começam a afetar os negócios no país, segundo os analistas – combinados com uma elevada expectativa da sociedade também contribuem para aumentar a pressão sobre Palocci. Mercado Apesar das pressões, a avaliação dominante é que não há alternativas fora da economia de mercado e, por isso, o governo deve manter o trabalho feito até agora, reconquistando a confiança dos mercados. Os melhores indicadores desse feito seriam a evolução do risco país. Em março de 2002, a taxa de risco cobrada sobre papéis brasileiros no exterior estava em 740 pontos acima das taxas de remuneração dos títulos do Tesouro americano. Em outubro de 2002, auge das inceretzas políticas, o risco subiu para 2.100 pontos, mas começou a cair com o discurso do governo eleito, e chegou a 1.500 pontos em dezembro. Graças às medidas adotadas até agora, como elevação do superávit primário (diferença entre receitas e despesas, exceto as financeiras) e o compromisso com o combate à inflação, segundo eles, o risco está atualmente abaixo dos 700 pontos. Com esse cardápio de medidas, incluindo avanços nas reformas da Previdência e tributária, a expectativa predominante é que o país deve retomar o crescimento e entrar no círculo virtuoso no ano que vem. A ameaça seria uma queda de fluxos de recursos externos ao país antes que as reformas permitam que aumente a disponibilidade de recursos internos para aumentar os investimentos, evitando que as empresas sejam obrigadas a buscar empréstimos no exterior. |
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