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Atualizado às: 03 de julho, 2003 - Publicado às 14h38 GMT - 11h38 (Brasília)
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No berço do PT, há decepção e orgulho com Lula

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No reduto petista das montadoras de São Bernardo do Campo, onde o partido foi criado no fim dos anos 70 para representar os interesses dos trabalhadores na política, a decepção com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se mistura ao orgulho e à esperança de que as mudanças ainda se realizem.

"Ainda é muito cedo para querer cobrar. Para começo, está legal", diz o auxiliar de almoxarifado Francisco Mendes, que trabalha como terceirizado na Volkswagen de São Bernardo do Campo, local de origem do atual presidente da Central Única dos Trabalhadores, Luiz Marinho.

O metalúrgico Gediael Inácio Tavares também acredita que o país melhorou.

"A princípio, já sentimos uma grande melhora. É gente da gente que está lá. Nosso representante lá", diz com orgulho.

Previdência

"Eu sei que tem muita coisa que precisa ser acertada, não vai ser de hoje pra amanhã. Mas a gente confia nele e estamos esperando que ele faça um bom governo", diz Tavares, metalúrgico em São Bernardo do Campo desde 1976, onde viu o nascimento dos movimentos sindicais que deram origem ao Partido dos Trabalhadores

Ele concorda com a reforma previdenciária, apesar da polêmica. "Se não tiver dinheiro, como é que vai pagar", questiona.

Moacir Martins, metalúrgico há 13 anos, está decepcionado e diz que o presidente Lula está fazendo muito menos menos do que ele esperava.

"A gente tinha uma esperança tão grande que melhorasse", afirmou.

"Infelizmente, as coisas não são do jeito que a gente esperava, né? Mas tem que engolir seco esses aumentos, a taxa de juros. A realidade é outra", disse, lembrando dos tempos em que o sindicato liderado por Lula parava a Rodovia Anchieta com a greve dos metalúrgicos.

Paralisação

"Estou vendo que um dia vamos ter que parar contra ele, que era o cara que liderava as paralisações", lamenta.

"Como um sindicalista que fez tanta coisa por nós, isso devia doer na pele dele, por nós. Mas não."

O cientista político Alberto Almeida, pesquisador da FGV-Opinião, afirma que a mudança de postura do Partido dos Trabalhadores na oposição e no governo é natural.

Ele não acredita que a adoção de políticas semelhantes às que criticava quando era oposição é incoerência, mas uma coerência com a natureza do papel de oposição.

Esquerda

"Oposição não tem que apoiar o governo", resume, salientando que o método é legítimo e faz parte da jogo político-partidário.

"Quando o câmbio era fixo, o PT era contra o câmbio fixo e quando o câmbio passou a ser flutuante, em janeiro de 99, o PT passou a ser contra o câmbio flutuante", lembrou.

"Isso é uma contradição? Não. Isso é uma coerência muito grande de oposição", afirma.

Mas, da mesma maneira que o PT caminhou para o centro da ideologia política e adotou a política econômica do governo Fernando Henrique Cardoso, Almeida diz que o partido deve estabelecer um padrão de política social para os próximos governos.

"É muito provável que os governos posteriores, sejam petistas ou não, mantenham essas políticas", afirmou.

O futuro do PT, na avaliação de Almeida, é se manter na centro-esquerda, e se fortalecer ainda mais como partido.

"Da mesma maneira que o Tony Blair, na Grã-Bretanha, e Gerhard Schröder, na Alemanha, mantiveram políticas de seus antecessores e não deixaram de ser de esquerda", afirma.

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