Luigi Mangione não irá enfrentar pena de morte pelo assassinato de CEO de plano de saúde nos EUA

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Acusado de ter assassinado o CEO da maior seguradora de saúde dos Estados Unidos, Luigi Mangione não enfrentará a pena de morte caso seja condenado, decidiu uma juíza federal dos Estados Unidos nesta sexta-feira (30/1)

A juíza distrital Margaret Garnett rejeitou as acusações federais relacionadas a armas de fogo contra o jovem de 27 anos que previam a possibilidade de pena de morte.

No entanto, ela manteve as acusações de perseguição (stalking), que podem resultar em pena máxima de prisão perpétua.

Mangione foi preso dias depois de supostamente ter atirado em Brian Thompson, CEO da UnitedHealthcare, quando ele entrava em uma conferência, em uma rua movimentada de Manhattan, em Nova York, em dezembro de 2024.

Ele foi detido na Pensilvânia após uma caçada nacional que mobilizou a atenção do país, ao ser identificado por um funcionário de uma lanchonete McDonald's.

Em sua decisão, a juíza Garnett, nomeada pelo ex-presidente Joe Biden, afirmou que duas das quatro acusações federais não atendem à "definição legal federal de crime de violência".

Ela observou que sua decisão teve como objetivo exclusivamente impedir que a pena de morte fosse considerada pelo júri como punição possível.

A decisão de Garnett representou um revés para o Departamento de Justiça, que havia classificado o assassinato de Thompson como uma "execução premeditada e a sangue-frio".

"O assassinato foi um ato de violência política", disse a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, acrescentando que o homicídio em local público de Thompson "pode ​​ter representado um grave risco de morte para outras pessoas".

A juíza concedeu ao governo 30 dias para contestar sua decisão de afastar a pena de morte no caso Mangione.

A seleção do júri no julgamento federal está prevista para começar em 8 de setembro, com as alegações iniciais programadas para 13 de outubro.

Mas promotores estaduais pretendem levar Mangione a julgamento já em julho.

Além do caso federal, Mangione também responde a nove acusações em um processo separado, movido por promotores do estado de Nova York, incluindo homicídio em segundo grau.

Se condenado por todas as acusações, ele enfrentaria uma sentença obrigatória de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.

Mangione se declarou inocente das acusações de homicídio tanto em nível estadual e federal.

Reações ao caso

O caso de Mangione chamou a atenção do mundo pela quantidade de pessoas comuns que têm demonstrado apoio a ele.

Presencialmente e na internet, centenas de milhares de pessoas passaram a justificar ou mesmo celebrar o assassinato de Brian Thompson, com uso de hashtags como "destrua os ricos".

E o que explicaria essa mobilização toda? Os especialistas americanos citam várias razões. Primeiro, uma grande frustração da população com a indústria de seguros-saúde nos EUA.

Muitos usuários de planos de saúde se queixam da burocracia e da dificuldade para conseguir a cobertura de tratamentos médicos.

Um segundo ponto que explicaria o interesse em torno do caso é o crescente descontentamento com o poder econômico e político de grupos.

Um financiamento coletivo aberto pelo próprio Mangione, para custear sua defesa, arrecadou centenas de milhares de dólares.