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Última actualização: 15 Janeiro, 2008 - Publicado em 19:32 GMT
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Moçambique à espera de mais cheias

Cheias de Moçambique
O Instituto Nacional de Gestão de Calamidades diz que, até aqui, sete pessoas perderam a vida, desmentindo assim notícias de que o número de vítimas mortais devido às inundações ascenderia já a cerca de centena e meia.

Cerca de sessenta mil pessoas terão, até aqui, sido evacuadas de zonas de risco.

Enquanto isso, as autoridades descartam a possibilidade de, para já pelo menos, lançarem um pedido internacional de ajuda.

As informações que têm chegado do terreno e as características próprias de situações como estas inundações, implicam que muito do que em matéria estatística está actualmente disponível se baseie em estimativas e projecções.

As autoridades no entanto têm uma certeza, como é patente nas palavras de Paulo Zucula, Director do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades.

"Foram evacuadas, até segunda-feira, 11141 famílias. Foram confirmados 4 óbitos por arrasto das correntes dos rios e 3 pessoas foram mortas por crocodilos. Alguma imprensa internacional tem noticiado a ocorrência de 150 óbitos o que não corresponde, felizmente, às nossas estatísticas."

Apesar da forma até aqui bem sucedida como Moçambique está a gerir e a mitigar o impacto das inudanções que poderão desembocar nas piores cheias dos últimos tempos, a evacuação de populações em situação de risco não pára.

Auxílio no terreno

O Instituto Nacional de Gestão de Calamidades confirmou, a propósito, que a Unidade de Protecção Civil, integrando elementos do exército, continua a desdobrar-se pelas áreas inundadas, aonde conta com o apoio de mais de dezena e meia de embarcações e dois helicópteros.

Agências das Nações Unidas e organizações não-governamentais nacionais e internacionais continuam também a providenciar auxílio pontual, em forma de abrigo e também alimentação, entre outros.

O Instituto Nacional de Metereologia avisa que as chuvas vão ganhar intensidade com todas as consequências que daí resultam para Moçambique.

O meteorologista Sérgio Buque explica que as inudanções devem-se "ao fenómeno La Niña, que é o oposto do El Niño, que provoca secas geralmente na região central. Essa a razão destas inudanções na África Austral; tem a vêr com o aquecimento da temperatura da água do mar."

Mas e quanto à possibilidade de, a este respeito, Moçambique vir – à semelhança de outros países da região – a lançar formalmente um apelo internacional de ajuda?

Paulo Zucula diz que quando Moçambique chegar à necessidade de fazer um apelo internacional é porque já falhou bastante na prevenção.

"Nós estamos a trabalhar no sentido de evitar que isto se transforme numa catástrofe humanitária, e se nós conseguirmos isso não pomos essa hipótese. Com certeza isto é uma contigência, não podemos excluir que ultrapasse as nossas capacidades. Se assim for, faremos uso dos canais existentes na ONU para fazer um pedido. Para já é muito cedo para pôr como hipótese."

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