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Última actualização: 13 Janeiro, 2008 - Publicado em 23:37 GMT
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Abastecimentos chegam a Moçambique
Cheias em Moçambique
Algumas cidades e terras aráveis ficaram alagadas a sul da Beira
Um navio que contém cerca de três mil toneladas de alimentos para as vítimas das cheias de Moçambique chegou à cidade portuária da Beira.

Os abastecimentos são suficientes para alimentar cerca de 250 mil pessoas que perderam as suas colheitas devido à subida do nível das águas na Bacia do rio Zambeze.

Muitas das vítimas estão a ser deslocadas para campos de reassentamento. Um dos campos de acolhimento para as vítimas das cheias foi estabelecido há mais de um ano.

Foi quando as últimas chuvas forçaram as pessoas a abandonarem as suas quintas junto à Bacia fértil do rio Zambeze.

Muitas delas voltaram às suas aldeias para tentarem restabelecer as suas vidas e a sua independência mas agora estão de novo abrigados nos campos de acolhimento.

Ao todo, mais de 50 mil pessoas foram evacuadas da zona de perigo. Grande parte das pessoas afectadas retiraram-se para as zonas de maior altitude e são difíceis de alcançar.

Lisa Doherty da UNICEF disse à BBC que actualmente as operações de busca e salvamento estão direccionadas para comunidades que se encontram isoladas.

Colheitas perdidas

Mas a consequência mais grave de toda a situação é que as pessoas perderam as suas colheitas.

O Programa Alimentar Mundial transportou alimentos para 250 mil pessoas durante um mês, o mesmo número que tem estado a alimentar desde as últimas cheias.

O PAM julga que é provável que desta vez o número de pessoas aumente. A sul da Beira, pelo menos dez cidades e terras aráveis ficaram alagadas.

As autoridades dão conta que mais chuvas no Zimbabué e na Zâmbia estão a forçar o governo a aumentar os esforços das equipas de salvamento em áreas inicialmente declaradas seguras.

Entidades especializadas chamam a atenção para o facto da Barragem Hidroelétrica de Cahora Bassa, sobre o mesmo rio, não ter a capacidade de, por si só, impedir a ocorrência de cheias.

Mutarara fica a jusante da Barragem de Cahora Bassa, obrigada nos últimos dias a fazer descargas de 6600 metros cúbicos por segundo de água devido às chuvas que se estão a verificar, especialmente nos países vizinhos.

Inundações na região do Zambeze
Cahora Bassa sem capacidade para conter mais água, continua a efectuar descargas

Foi por isso um Admnistrador Distrital de Mutarara - de cerca de 209 mil habitantes - naturalmente preocupado que falou à BBC.

Alexandre Faite disse que "estamos incomunicáveis por via terrestre, as vias estão intransitáveis. Agora só através do Malawi ou meios aéreos".

"A ponte está a receber obras, o batelão não funciona devido a problemas com a rampa. Mutarara é uma ilha. O caudal do rio continua a aumentar e vai aumentar ainda mais", disse Faite.

A jusante: Cahora Bassa

Uma questão que tem vindo a lume com inundações como estas relaciona-se com o papel da Barragem Hidroelétrica de Cahora Bassa.

Há quem a responsabilize pela situação e há os que sugerem que a mesma não está a fazer o que podería ou devería para impedir o agravamento da situação provocada pelas chuvas intensas que têm estado a cair sobre a bacia do Zambeze.

Belarmino Chivamo, responsável pelo Departamento de Recursos Hídricos da Direcção Nacional de Águas todavia esclarece que o está a acontecer é que “há importantes afluentes sobre os quais não há infraestruturas de contenção de água".

"O Zambeze tem um afluente que é o Revúbué a montante que no território da Zâmbia não tem uma barragem", explicou Chivamo.

"O que há é um défice de infraestruras e devemos investir aí. Cahora Bassa sózinha não tem capacidade para armazenar toda a àgua que estamos a receber neste momento", conclui o responsável daquele organismo.

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