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Última actualização: 12 Novembro, 2007 - Publicado em 23:57 GMT
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Média guineense 'amordaçada' por narco-traficantes
Embalagens com cocaína
A Guiné-Bissau não é capaz de combater, por si só, o narco-tráfico
A organização internacional Repórteres Sem Fronteiras diz, num novo relatório, que os jornalistas na Guiné-Bissau vivem sob a ameaça permanente de traficantes de drogas colombianos e dos seus cúmplices.

A Guiné-Bissau e outros países da África Ocidental transformaram-se em importantes postos de trânsito de cocaína traficada da América do Sul.

Segundo o correspondente da BBC para a África Ocidental, Will Ross, há receios de que a Guiné-Bissau se transforme num narco-estado, com os cartéis da droga a controlar um país onde as instituições legais praticamente não funcionam.

Com a situação a deteriorar-se, começa a ficar cada vez mais difícil - e perigosa - para os jornalistas guineenses a divulgação de notícias sobre o tráfico de drogas.

Pesquisadores dos Repórteres Sem Fronteiras, que visitaram a Guiné-Bissau em Outubro, dizem que o país está efectivamente amordaçado e que há um tabú nacional em relação à discussão aberta sobre o tráfico de cocaína.

O seu relatório menciona casos específicos em que jornalistas guineenses que investigaram o tráfico de cocaína receberam ameaças de morte, foram forçados a esconderem-se ou fugiram do país.

Envolvimentos

Alega-se que alguns membros das Forças Armadas estejam envolvidos no altamente lucrativo tráfico de cocaína.

Os Repórteres Sem Fronteiras referem que, no início de 2007, dois soldados foram detidos na posse de cerca de 750 quilogramas de cocaína.

Mas, algumas horas mais tarde, teriam sido postos em liberdade, alegadamente por ordens do Chefe de Estado-Maior das Forças Armadas Guineenses - que adquirira, misteriosamente, poderes judiciais extraordinários para a ocasião.

Os Repórteres Sem Fronteiras referem que não são apenas os jornalistas que estão com problemas para expôr a verdade. Segundo a organização, até mesmo a Ministra da Justiça teria recebido ameaças de morte.

E quando a Polícia Judiciária não tem meios para funcionar de forma efectiva, tudo parece indicar que os cartéis da droga não enfrentam grandes perigos.

Ao mesmo tempo que cresce a inquietação em relação ao futuro da Guiné-Bissau, ao que parece os jornalistas estão muito mais seguros se se mantiverem em silêncio.

Segundo os Repórteres Sem Fronteiras, desamparados e assustados, os jornalistas guineenses preferem ficar quietos enquanto o seu país assume a forma embrionária de um narco-estado.

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