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Última actualização: 20 Fevereiro, 2007 - Publicado em 16:39 GMT
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Ciclone ameaça centro e sul de Moçambique

Ajuda às vítimas das cheias
O ciclone poderá agravar a situação precária criada pelas cheias
Em Moçambique foi lançado um alerta azul face à aproximação de um ciclone que poderá agravar a situação já por si precária do país devido às cheias na região central, para além de exigir um desdobramento, que poderá ser insustentável, devido aos esforços de auxílio em curso.

Até ao momento 120 000 pessoas já foram obrigadas a abandonar as suas casas devido às cheias.

De acordo com o Instituto Nacional de Metereologia às oito horas da manhã desta terça-feira, o ciclone tropical Fávio – nascido junto a Madagáscar - estava a cerca de mil quilómetros de Maputo.

Evoluía a uma velocidade média de 16 quilómetros por hora e caminhava em direcção de Inhambane e Gaza, no sul, e Sofala, no centro.

De referir a este propósito que esta última província encontra-se já a braços com os efeitos das cheias que desalojaram dezenas de milhares de pessoas.

Hélder Sueia, do Instituto Nacional de Metereologia confirmou à BBC que o
alerta foi lançado, referindo ser importante notar que este tipo de ocorrência tem sido frequente por estas alturas do ano.

Às populações em àreas de risco está a ser recomendado que tomem as medidas possíveis.

Enquanto isso prosseguem os esforços para fazer chegar a ajuda às populações afectadas pelas cheias no centro de Moçambique.

Operações de resgate

As operações de resgate são dadas como concluídas, sendo agora a prioridade assegurar o funcionamento pleno dos centros de acomodação em que se encontram mais de 70 mil das 120 mil pessoas obrigadas a abandonar as suas casas.

“Não houve nada que pudéssemos fazer.Aquilo começou de dia, a água veio e tívemos de sair com os nossos sete filhos para lugar seguro”, as palavras de Valero, um dos mais de dois mil deslocados numa pequena ilha em pleno rio Zambeze chamada Cachaço, na província de Tete, centro de Moçambique.

Na altura preparava-se receber alguma da assistência que, sob a coordenação do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades, está a ser providenciada por agências das Nações Unidas e organizações não governamentais às populações deslocadas.

“Estamos na fila à espera de receber comida:mapira, feijão, óleo..Há muita gente ainda fora, sem casa. Não há latrinas nem casa de banho e há muitas doenças: malária, diarreias, dores de cabeça.”

Instado a comparar a situação actual à de dois mil e um, quando cheias parecidas provocar mais de uma centena de mortos, o nosso entrevistado riu-se de forma quase que resignada antes de responder.

“Quando as cheias acabam voltamos para as nossas zonas, onde temos as machambas que foram agora engolidas pelas águas”.

Entretanto uma das organizações envolvidas nos actuais esforços de assistência às populações afectadas lançou um apelo preliminar de emergência avaliado em perto de seis milhões de dólares e que poderá assumir a forma de dinheiro, espécie ou serviços.

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