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Última actualização: 20 Fevereiro, 2007 - Publicado em 15:55 GMT
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Cheias obrigam moçambicanos a fugir

Cheias em Moçambique
Os barcos são o único meio de circulação
Agarrando-se às trouxas com as suas parcas posses, cerca de 20 homens, mulheres e crianças precipitam-se para terra firme.

Eles estão entre os milhares de moçambicanos que foram transportados por barco para centros de ajuda de emergência, para fugir às inudações que forçaram mais de 120 mil pessoas a abandonar as suas casas.

Lutando com o peso de um bébé que traz às costas está Pascoa Arumando.

Ainda mal saiu da adolescência e tem mais duas crianças a seu lado, chorosas e confusas.

A sua casa na margem do Zambeze foi inundada pelas águas e elas perderam tudo.

"As minhas sementeiras, a minha casa, tudo foi", disse ela.

À espera que as águas recuem, campos de acolhimento de emergência superlotados como este em que está Pascoa Arumando vai funcionar como lar substituto.

Campo improvisado

Chupanga é agora um destino para as pessoas se digirem por saberem que aí encontrarão alimentos e abrigo.

Atá aqui, era conhecido apenas por ser o local onde jazem os restos mortais de Mary Livingston a mulher do explorador David Livingston.

Cheias em Moçambique
Famílias inteiras ficaram sem nada

Agora um campo improvisado foi ali instalado e os números dos que chegam aumentam todos os dias.

Em três dias os números subiram de mil e quinhentos para mais de 4 mil.

As novas chegadas incluem o bébé Marta Paula, nascida na semana passada, poucos dias depois de sua mãe ter escapado às cheias.

Agora, com as preocupações a aumentar relativamente à propagação de doenças, a dúvida é se ela sobreviverá.

Aldeias desertas

Recriando o percurso que estas pessoas fizeram, descobrimos aldeias desertas a montante.

Em Gora, tectos de palha de casas estão parcialmente submersos, e as águas batem contra as portas.

Não há sinais de vida além de uma família de patos que fazem ninho num recanto de lama, e um cão vadio.

Cheias em Moçambique
''Sei que o nível da água poderá subir, mas o que posso fazer?''Mário António

Com aldeias agora submersas, surge a crescente ameaça de ataques de crocodilos. Houve pelo menos três nas últimas semanas.

Um soldado monta guarda com uma espingarda enquanto inspeccionamos casas abandonadas à pressa.

Viajando mais para montante, divisámos uma figura solitária sentada no meio de um grupo de casas abandonadas.

A família de Mário Antónjio fugiu, assim como a maioria dos seus vizinhos, mas ele insiste em ficar para trás.

"Tenho que ficar para tratar das sementeiras - sei que o nível das águas poderá subir de novo mas o que posso fazer?", pergunta.

Milhares de moçambicanos enfrentam o mesmo dilema.

Uma triste ironia é que os campos inundados ao longo do rio Zambeze representam algumas das terras mais férteis do país.

As autoridades moçambicanas conseguiram reinstalar algumas comunidades das zonas inudadas depois das devastadoras cheias em 2000 e 2001, mas muitos recusam-se a partir.

Estas são terras passadas de pais para filhos, de mães para filhas, a única fonte de rendimentos para muitos aqui.

Crise evitada

O Instituto Nacional de Gestão de Calamidades, que coordena a resposta de emergência, declarou que a fase de resgate da operação está concluída.

O foco agora é assegurar que a epidemia de cólera não atinja os campos.

A Federação Internacional da Cruz Vermelha está a apelar a 5,8 milhões de dólares para evitar que o que até agora parece ter sido uma resposta bem gerida a um desastre, se transforme numa crise.

Cheias em Moçambique

Afortunadamente as baixas desta vez foram bastante menos do que as provocadas pelas cheias de há sete anos.

Trinta pessoas foram mortas comparadas com as 700 pessoas de 2001.

Agências de ajuda dizem que isto se deve parcialmente à natureza das cheias e aos sistemas de alerta prévio, activados quando chuvas intensas foram previstas em Moçambique e na vizinha Zâmbia.

A longo prazo mais barragens serão necessárias para quebrar o ciclo de cheias que afectam Moçambique.

É um investimento custoso mas é também uma fonte valiosa de energia hidro-eléctrica.

Pode ter sido difícl convencer as pessoas a abandonarem as suas casas e dezenas de milhares estão virtualmente sem nada, mas parece que as lições do passado foram aprendidas e foi evitada uma catástrofe humana.

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