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BM acusado de desperdiçar fundos da malária | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Banco Mundial foi acusado de publicar dados contabilísticos falseados e de desperdiçar dinheiro em medicamentos ineficazes no seu programa de tratamento da malária. Um estudo da revista médica, Lancet, alega que o BM falseou dados para dar a impressão de que os seus projectos de combate à malária estavam a ter sucesso, e renegou uma promessa para investir entre 300 e 500 milhões de dólares em África. A Lancet também alega que o Banco Mundial financiou tratamentos obsoletos - apesar mesmo de ter sido alertado por especialistas. O banco rejeitou estas alegações e diz que está a investir entre 500 e mil milhões de dólares nos próximos cinco anos. Mas também admitiu não ser fácil, e às vezes "nem mesmo possível", saber exactamente que quantias de cada doador vão para actividades específicas. As alegações contra o Banco Mundial, feitas por 13 especialistas internacionais em saúde pública liderados por Amir Attaran, da Universidade de Ottawa, no Canadá, centram-se nas promessas financeiras que o fundo fez para o combate à malária no continente africano e para um programa na Índia. Os pesquisadores acusaram o banco de não conseguir inverter a "negligência histórica" da batalha contra a malária e de exagerar no anúncio de montantes gastos em África. O estudo destaca uma promessa para o empréstimo a África de 300 a 500 milhões de dólares para a luta contra a malária. Diz depois que o Banco Mundial pareceu ter recuado, indicando dados contabilísticos que referem ter sido reservados entre 100 e 150 milhões de dólares para o controlo da malária em todo o mundo entre 2000 e 2005. Em resposta às alegações da Lancet, Jean-Louis Sarbib, do Banco Mundial, diz que entre 2006 e 2008 serão gastos na luta contra a malária em África e da Ásia 500 milhões de dólares prometidos por vários doadores. O estudo da Lancet também alega que o Banco Mundial exagerou nos resultados conseguidos pelo seu programa de controlo da malária na Índia. 'Erros estatísticos' O documento cita o banco como tendo dito que o programa reduzira o número de mortes por malária nos estados de Gujarat em 58%, de Maharashtra em 98% e de Rajastão em 79%. Os autores disseram que duvidaram que a malária pudesse ser reduzida de forma tão marcante em tão pouco tempo e pediram - e obtiveram - estatísticas oficiais do próprio programa nacional de malária da Índia. De acordo com as autoridades indianas, o número de mortes por malária aumentou nos três estados acima citados no período em questão - entre 2002 e 2003. "Como nos foi recusado acesso às fontes originais de dados, não conseguimos discernir a causa de tantas falhas estatísticas do Banco Mundial e, em particular, se essas falhas resultaram de erros não intencionais ou de falsificação ou fabricação intencional de dados", disseram os autores. Mas o Banco Mundial disse, em resposta, que os autores do estudo estavam a usar "dados governamentais agregados, que não contam a história toda". "Fomos capazes de ver melhorias claramente mensuráveis nos distritos onde o projecto anti-malária financiado pelo banco foi implementado", disse o Banco Mundial. O estudo também alega que o secretismo do BM e os seus erros técnicos constituem uma combinação perigosa quando se fala de tratamentos da malária. "As nossas investigações sugerem que o Banco Mundial desperdiçou dinheiro e vidas humanas em medicamentos não efectivos." O estudo acusa o Banco Mundial de fornecer à Índia o anti-palúdico cloroquina, a um custo de 1,8 milhões de dólares. Mas a cloroquina não é apropriada para o tipo de malária prevalente na Índia e contraria as orientações da Organização Mundial de Saúde. Contexto Contudo, o BM diz que a cloroquina deveria ser usada apenas nas áreas em que continua a ser efectiva – em conjunção com medicamentos mais actuais. O banco disse que "com base em informação disponível, a Índia tinha todas as oportunidades para poupar dinheiro ao usar inteligentemente os seus parcos recursos de acordo com as realidades locais." O Doutor Attaran e os seus colegas pediram ao Banco Mundial que entregue a uma instituição independente os mil milhões de dólares que deveriam ser investidos em programas contra a malária em todo o mundo. Os especialistas dizem que o papel do banco deveria restringir-se apenas ao financiamento. Mas o BM diz que o seu presidente, Paul Wolfowitz, "colocou todo o peso da sua liderança no renovado engajamento da luta contra a malária, com uma forte ênfase nos resultados." Um editorial da revista Lancet diz que a malária representa 10% das doenças em África e que provoca perdas de 12 mil milhões de dólares anuais em termos de produtividade. Se o Banco Mundial pensa seriamente em ser julgado pelos seus resultados, diz a Lancet, "o objectivo de reduzir para metade as mortes provocadas pela malária em África até 2010 é uma excelente oportunidade para que se tomem medidas", refere. | LINKS LOCAIS OMS alerta contra medicamento para paludismo21 Janeiro, 2006 | Notícias Conferência discute combate à malária 14 Novembro, 2005 | Notícias Novas descobertas na luta contra a Malária12 Abril, 2005 | Notícias Descobertas novas dimensões globais da malária09 Março, 2005 | Notícias LINKS EXTERNOS A BBC não é responsável pleo conteúdo de sítios externos da internet | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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