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Descobertas novas dimensões globais da malária | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Cientistas da Universidade inglesa de Oxford alegam que a malária é muito mais comum e está muito mais disseminada do que se pensava. Um novo estudo global da forma mais mortífera desta doença mostra que se registaram 515 milhões de casos de malária só em 2002. Esta cifra é 50% mais elevada do que as estimativas da Organização Mundial de Saúde e 200% mais alta para áreas fora do continente africano. Liderança africana Mais de dois terços dos casos de malária ocorreram em África onde o vírus plasmodium falciparum afecta principalmente crianças com menos de cinco anos de idade. Mas, segundo os pesquisadores, muito mais gente do que se pensava está infectada no Sudeste Asiático. Doença global Cerca de dois biliões de pessoas em todo o mundo - cerca de um terço da população global - poderá estar em risco de contrair malária. A pesquisa, publicada no jornal Nature, enfatiza a necessidade de uma maior acção em todo o mundo no combate à ameaça da malária. Os cientistas da Universidade de Oxford, que trabalham no Instituto Queniano de Pesquisas Médicas, em Nairobi, basearam as suas conclusões em dados epidemiológicos, geográficos e demográficos recentes e históricos. A informação foi usada para criar uma simulação dos locais onde as pessoas vivem, das chances de serem infectadas e da sua susceptibilidade de contrair a doença. Cálculos conservadores O Professor Bob Snow, que liderou a investigação, disse que, apesar mesmo de ter feito cálculos conservadores sobre o número de ataques anuais de malária à escala global, o problema é muito maior do que se pensava. "O nosso trabalho científico mostrou que perto de 25% dos casos de malária em todo o mundo ocorrem no Sudeste Asiático e na região Ocidental do Pacífico - quando muita gente pensava que esta doença era um problema particular de África". Para o Professor Snow, é importante conhecer os números certos. O desconhecimento das dimensões do problema limitam a habilidade científica para articular as quantidades de dinheiro necessárias para lidar com a malária. Meios financeiros Segundo ele, se não se sabe da localização do problema não se pode dispensar meios financeiros de forma correcta. E isso é particularmente importante quando se trata da aquisição da nova gama de anti-palúdicos mais eficazes.
As Nações Unidas estabeleceram duas iniciativas para combater a malária. Os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio têm por tarefa conter a propagação da doença até 2015. E o Roll Back Malaria [Acabar com a Malária] tem por objectivo reduzir para metade o número de mortes nos próximos seis anos. Sudeste Asiático O Professor Nick White, director da unidade para o Sudeste Asiático da Wellcome Trust, considera que só se acabará com a malária quando se conhecerem as dimensões do problema. "Sempre se pensou que a malária era um problema africano. As novas estimativas desafiam essa noção e sugerem a existência de um número muito mais elevado de afectados no Sudeste Asiático". O Doutor Richard Feachem, director-executivo do Fundo Global da ONU para o Combate à SIDA, Tuberculose e Malária, diz que o estudo feito pelo Professor Snow e pela sua equipa foi extremamente importante. Mortalidade "Muita gente acreditava que os dados existentes subestimavam sobremaneira a malária e as taxas de mortalidade em África e na Ásia. Temos agora confirmação disso". O Doutor Feachem diz serem essenciais números correctos se se quizer combater a malária, especialmente através da aquisição de medicamentos efectivos e de redes mosquiteiras. O Fundo Global da ONU diz que terá agora de incrementar, de forma significativa, os recursos necessários para levar a cabo as suas tarefas. |
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