BBCParaAfrica.comNews image
Brasil
Espanhol
Francês
Swahili
Somali
Inglês
Outras línguas
Última actualização: 14 Março, 2006 - Publicado em 19:29 GMT
E-mail um amigoVersão para imprimir
Comissão para África - um ano depois

Um ano depois da publicação do relatório da Comissão para África pode-se dizer que houve algumas vitórias. Mas a maior mudança seria criarem-se as condições para um comércio mais justo com África - e isso continua sem ser alcançado.

Camponês africano
Demasiados africanos continuam a carregar o fardo da pobreza

As negociações comerciais de Doha, que deveriam acabar com as desigualdades por forma a promover-se o desenvolvimento, continuam longe de uma solução para esta questão.

Um aspecto positivo para a Comissão para África foi ter-se conseguido o cancelamento de mais dívidas, com o estabelecimento, pela primeira vez, do princípio de perdão de 100% da dívida dos países mais pobres.

O alívio da dívida foi estendido, de forma controversa, para melhorar a educação na Nigéria, onde a corrupção e os conflitos consumiram os recursos naturais do país.

Em relação à ajuda, o mundo está muito longe de chegar a acordo em relação à duplicação da assistência aos países africanos - uma das maiores ambições do relatório da Comissão para África.

Mas registaram-se progressos. Os EUA estão a mostrar-se cada vez mais preparados a aumentar a assistência, apesar mesmo do fracasso da sua última grande ideia, o "Fundo dos Desafios do Milénio".

Na Alemanha, a Chanceler Angela Merkel, anteriormente céptica em relação à ajuda, diz que vai tentar cumprir com os compromissos do seu país.

Houve progressos nos meios técnicos para a angariação de mais dinheiro, apesar mesmo do dinheiro continuar sem ter sido disponibilizado.

Soluções inovadoras

A velha ambição francesa de impor uma "taxa aeroportuária para o desenvolvimento" ganhou apoiantes, enquanto que o Organismo Britânico de Financiamento Internacional - que concede empréstimos para projectos imediatos de desenvolvimento - está igualmente a ganhar aceitação geral.

Um projecto desse organismo deverá angariar 4 mil milhões de dólares para campanhas de vacinação que poderão salvar 5 milhões de vidas até 2015.

 O mundo sabe o que é necessário fazer-se. Tem apenas de ir em frente
Salil Shetty, da ONU

Essa foi uma das maiores ideias que emergiu depois do relatório da Comissão para África se ter comprometido em financiar gratuitamente o tratamento de todos os seropositivos até 2010.

Mas não se sabe ao certo de onde virão esses financiamentos. A saúde é uma área em que o próprio engajamento africano será extremamente crucial se se quiserem mudanças reais.

Criança africana com a mãe

A Comissão para África propôs soluções inovadoras por forma a que os países africanos retenham o seu próprio pessoal médico, que cada vez mais procura por empregos mais bem pagos no mundo desenvolvido.

Um aspecto importante para o sucesso nessa área será a implementação de reformas competentes no sector de cuidados de saúde em África.

Em relação à educação, a proposta mais radical da Comissão para África - muito mais fundos para o ensino superior - está longe de ser realizada.

O objectivo era conseguir-se 500 milhões de dólares anuais para um período de 10 anos.

Linguagem vazia

Um ano depois, a análise do governo britânico ao processo refere-se apenas à necessidade de "um novo quadro para a identificação de áreas prioritárias".

Este é o tipo de linguagem visto com desdém pelos veteranos da área de desenvolvimento - e não refere o que foi inicialmente prometido.

Durante anos a fio, o continente africano assistiu à criação e à extinção de inúmeras Comissões.

O Chefe da Campanha da ONU para os Objectivos do Milénio, Salil Shetty, disse em Londres que "o mundo sabe o que é necessário fazer-se. Tem apenas de ir em frente".

Apesar de progressos feitos aqui e ali, não há dúvidas em relação ao contínuo engajamento do governo britânico neste processo.

A Comissão para África não será consignada a uma prateleira como mais um grande plano que acabou por fracassar.

Uma fonte próxima do Primeiro-Ministro Tony Blair disse que em cada um dos diferentes objectivos havia agora um "caminho aberto" e uma direcção clara, ainda que os objectivos não tivessem sido alcançados na sua totalidade.

LINKS LOCAIS
LINKS EXTERNOS
A BBC não é responsável pleo conteúdo de sítios externos da internet
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
E-mail um amigoVersão para imprimir
BBC Copyright Logo
^^ De volta ao topo
Arquivo
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>