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Última actualização: 23 Novembro, 2005 - Publicado em 17:48 GMT
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Fracasso nas negociações da Costa do Marfim
Mapa da Costa do Marfim
Três chefes de Estado africanos não conseguiram garantir um acordo para a nomeação de um novo Primeiro-Ministro para a Costa do Marfim.

Os Presidentes Olusegun Obasanjo, da Nigéria, Thabo Mbeki, da África do Sul, e Mamadou Tandja, do Níger, estiveram, sem sucesso, a negociar na cidade marfinense de Abidjan, com o governo, com a oposição e com os rebeldes que controlam a região Norte da Costa do Marfim.

O Presidente Obasanjo disse em Abidjan, no final de negociações separadas, que a classe política marfinense não fora capaz de concordar com o nome de um novo chefe do executivo.

Propostas

Os presidentes da Nigéria, da África do Sul e do Niger haviam proposto os nomes de dois potenciais novos candidatos.

Nenhum deles foi aceite, de forma consensual, pelo governo, pela oposição e pelos rebeldes.

Os mediadores africanos disseram que não consideravam que a sua missão tivesse fracassado e afirmaram que as negociações seriam reactadas dentro de uma semana e meia.

Alternativas

Contudo, Sidiki Konaté, um dirigente dos rebeldes, disse que as perspectivas de sucesso eram quase nulas.

"Não temos governo, nada funciona. Este país está em declínio e se isso não for resolvido teremos de pensar noutra solução. E essa solução não será política. O processo de paz correrá um perigo muito grande se não encontrarmos muito rapidamente um Primeiro-Ministro para este país".

Uma resolução da ONU aprovada recentemente pedia a nomeação de um novo Primeiro-Ministro aceite por todas as partes.

Eleições

Essa personalidade teria poderes reforçados e deveria conduzir a Costa do Marfim à realização de eleições livres e justas.

As eleições presidenciais, inicialmente marcadas para finais do mês passado, foram adiadas por que o país continua dividido ao meio - com os rebeldes das Novas Forças na posse da região Norte e o governo confinado à área Sul.

Os rebeldes dizem que o seu líder, Guillaume Soro, é a única pessoa que aceitarão como Primeiro-Ministro. Os apoiantes do Presidente Laurent Gbagbo não concordam com esta posição.

Optimismo

O representante especial da ONU para a Costa do Marfim, o português António Monteiro, mantém-se optimista.

"Em negociações e tentativas de pressão, há sempre pontos de partida e de chegada. Não creio que qualquer força política na Costa do Marfim vá pôr em causa as decisões tomadas pela União Africana e endossadas pelo Conselho de Segurança da ONU".

O Presidente Obasanjo diz que, dentro de dez dias, ele e os seus homólogos da África do Sul e do Niger regressarão à Costa do Marfim com novas propostas para resolver este diferendo.

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