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Atualizado às: 19 de novembro, 2008 - 12h17 GMT (10h17 Brasília)
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Protestos ganham maior visibilidade na mídia chinesa

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Casos de manifestações e protestos populares na China, antes considerados raros e mantidos sob forte controle, têm ganhado maior visibilidade nos últimos meses na imprensa doméstica e internacional.

Reportagens abordando episódios de inquietação social emergem com maior freqüência, em um sinal de que esse tipo de assunto já não é mais tratado sob forte censura no país.

Mais de dez casos de grandes protestos foram relatados nos últimos três meses pela agência de notícias estatal Xinhua, e incontáveis publicações internacionais retrataram episódios semelhantes, levantando a questão sobre se existe um aumento no número de incidentes ou se agora a mídia enfrenta maior liberdade.

Ainda na terça-feira, foi noticiado com grande destaque nos jornais nacionais a invasão da sede do Partido Comunista em Longnan, noroeste da China, onde mais de dois mil agricultores protestavam contra a desapropriação das terras que cultivavam. Eles atearam fogo em diversos veículos e entraram em confronto com a polícia.

Há apenas dez dias, centenas de pessoas protestaram na cidade de Shenzhen, sul da China, contra o assassinato de um motoqueiro pela polícia. Elen não respondeu ao comando de parar em uma blitz e foi alvejado. Carros oficiais foram queimados pelos manifestantes.

Igualmente, taxistas em Chongqing, Sanya, Gansu e Guangdong vêm organizando protestos por melhores salários há semanas, e a imprensa estatal segue reportando o assunto.

Maior visibilidade

Analistas entrevistados pela BBC Brasil acreditam que o número de manifestações na China está aumentando, mas que também há maior visibilidade porque o Partido Comunista entende que a simples censura não é a melhor maneira de lidar com esses casos.

"A deterioração da situação econômica é um fator para o aumento das manifestações", afirma Joseph Cheng, professor de ciências políticas da City University de Hong Kong, especialista em China.

Cheng acredita que o governo não está mais limitando tanto a cobertura de protestos porque "não faz sentido tentar encobrir o que a imprensa internacional e de Hong Kong pode facilmente descobrir".

No entanto, o cientista político não acredita que haja uma pré-disposição de Pequim a dar maior liberdade à mídia.

"Não existe nenhuma política ampla que promova a liberdade de imprensa como um instrumento para supervisionar e verificar o trabalho que o governo faz", diz.

Segundo o acadêmico, o partido irá sempre intervir em casos delicados que realmente colocam a soberania do país em risco, como nos protestos ocorridos no Tibete em março.

Mike Yao Zhengyu, que é pesquisador em comunicação e censura em Hong Kong e PhD da Universidade de Santa Bárbara, na Califórnia concorda com Cheng.
"Depende do tipo de protesto. Assuntos como o Tibete seguem vetados", afirma.

"Há um aumento nas manifestações e a imprensa tem dado maior atenção a isso, mas são situações de desemprego e injustiça, nada de cunho explicitamente político antagônico ao partido", avalia Zhengyu.

'Postura sofisticada'

O pesquisador acredita que a liderança comunista está adotando uma postura "menos agressiva e mais sofisticada" desde o terremoto de Sichuan em maio.

"A censura é muito óbvia, o que existe hoje é uma administração da cobertura, onde alguns assuntos aparecem, enquanto outros são ignorados ou recebem uma nova abordagem nacionalista que é favorável ao governo", afirmou Zhengyu.

Yan Xiaojun é professor assistente no departamento de Política de Adminstração Pública da Universidade de Hong Kong e acredita que o aumento da visibilidade das manifestações se deve ao processo de enriquecimento dos últimos 30 anos.

"As reformas não apenas deram poder aos moradores do campo em termos econômicos, mas também proveram maior acesso a informação e comunicação, o que facilita ações políticas coletivas", afirma.

Yan acredita que há um relaxamento no controle, mas isso é um motivo menor.

"A mudança gradual do sistema centralizado de controle permitiu a propagação de inquietação social. Isso não seria possível no passado, quando a indústria estava sob rígido controle do aparato de propaganda do partido", concluiu.

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