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Atualizado às: 20 de novembro, 2008 - 09h32 GMT (07h32 Brasília)
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Análise: China busca compromisso de longo prazo com AL

O presidente da China, Hu Jintao, em encontro com Fidel Castro em Cuba na terça-feira
Hu Jintao também se encontrou com Fidel Castro em Cuba
O presidente da China, Hu Jintao, não visita a América Latina desde 2005. Mas a sua presença na reunião do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec, na sigla em inglês) em Lima, no Peru, nesta semana, e suas visitas à Costa Rica e Cuba confirmam o compromisso cada vez maior do país com a região.

Mas quais são, exatamente, os interesses da China na região?

A última visita de Hu Jintao à América Latina para um encontro da Apec, em novembro de 2004, provocou um grande interesse sobre o envolvimento econômico da China na região. Na época, Hu Jintao teria dito que esperava US$ 100 bilhões de investimento chinês na América Latina nos próximos dez anos.

O governo chinês depois corrigiu essa afirmação para US$ 100 bilhões em comércio bilateral, não investimento. Esse montante foi alcançado mais cedo do que se esperava no ano passado e representa um aumento considerável desde 2000, quando o comércio bilateral girava em torno de US$ 13 bilhões.

Ainda representa muito menos do que o comércio da região com os Estados Unidos (US$ 560 bilhões) ou a União Européia (US$ 250 bilhões), mas a tendência é significativa. A China está comprando cada vez mais commodities latino-americanas, como petróleo, minério e soja.

"A China agora quer mostrar que é um país que tem interesses responsáveis na região", diz Dan Erikson, um especialista em relações entre China e América Latina do Diálogo Interamericano. "(A China) tem a imagem, na América Latina, de ser 'mercantilista' ou de estar interessada apenas em retirar commodities. Agora, quer mostrar que está interessada no desenvolvimento da América Latina a longo prazo".

Relatório de estratégia

A China lançou seu primeiro relatório de estratégia para a América Latina no início deste mês. Apesar de ter poucas informações específicas, o documento queria mostrar ao mundo que o governo chinês é sério sobre a região. A China divulgou relatórios semelhantes para a União Européia em 2003 e para a África em 2006.

Como um sinal de seu objetivo de longo prazo, analistas apontam para os tratados de livre comércio (TLCs) entre a China e e alguns países latino-americanos. O Chile foi o primeiro a assinar um acordo do tipo em 2005. Um novo tratado entre Peru e China deve ser anunciado nesta semana. E um terceiro, entre Costa Rica e China, está sendo negociado.

As relações comerciais com a China com certeza cresceram muito para alguns países latino-americanos desde a última visita de Hu Jintao. Para dois dos três integrantes latino-americanos da Apec, Peru e Chile, a China se tornou um parceiro comercial vital.

Segundo dados da ONU, em 2007, quase 40% das exportações do Chile foram para a região Ásia-Pacífico, a maior parte para a China. E, para o Peru, o dado foi de 19%.

No entanto, para o México, o terceiro integrante latino-americano da Apec, a importância relativa da Ásia-Pacífico continua baixa - representando cerca de 3% das exportações mexicanas - devido às ligações comerciais estreitas do país com a economia dos Estados Unidos. E o comércio que existe favorece muito mais a China.

Pouco investimento

Alguns governos latino-americanos reclamam privadamente sobre o baixo nível de investimento direto da China na região, que é bem menor do que o dos Estados Unidos ou o da União Européia. O número oficial é de mais de US$ 20 bilhões, mas críticos dizem que muito desse montante vai para paraísos fiscais.

Segundo dados da embaixada chinesa em Washington, no início deste ano apenas US$ 2 bilhões representavam investimento direto em indústrias como petróleo e minérios. "Investimento em infra-estrutura, por exemplo, tem sido muito decepcionante", diz Erikson.

Osvaldo Rosales, diretor da Divisão de Comércio Internacional e Integração da Cepal (Comissão Econômica para América Latina e Caribe, ligada à ONU), disse à BBC que há uma "grande assimetria entre o nível cada vez maior de comércio entre China e América Latina e o baixo nível de investimento chinês".

Mas ele responsabiliza governos latino-americanos pela falta de projetos devidamente avaliados que possam receber investimento da China.

Os EUA se importam?

Analistas dizem que apesar do desconforto gerado pelas relações da China com Cuba e Venezuela, Washington não está extremamente preocupada com a crescente influência e presença da China na América Latina.

A visita de Hu Jintao a Cuba foi mais sobre comércio e para se encontrar com Raul Castro do que para provocar os Estados Unidos. Cuba também é um grande aliado em uma região que tem relações diplomáticas com Taiwan. Onze dos 23 países que ainda reconhecem Taiwan se encontram na América Central e no Caribe.

Muitos ficaram surpresos quando Hu Jintao decidiu ir para a Costa Rica em vez de, digamos, Brasil, o maior parceiro comercial da China na América Latina. Mas a Costa Rica estava sendo premiada com uma visita presidencial - e um novo estádio de futebol - por sua decisão, no ano passado, de reconhecer a China. É o único país da América Central a fazer isso.

Apesar de a China estar obviamente interessada em realizar acordos de petróleo com a Venezuela, o governo chinês tem mostrado que não quer ser levado para uma cruzada liderada por Hugo Chávez contra o governo americano.

O governo americano aparentemente não se opôs à China se tornar um integrante do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e observadora da OEA (Organização dos Estados Americanos). E já houve duas rodadas de diálogos entre o Departamento de Estado dos Estados Unidos e a China sobre a América Latina.

"Até agora, é amplamente reconhecido que a China está tentando agir na região com moderação e prudência", Gonzalo Paz, professor da George Washington University, escreveu recentemente. "A crescente crise econômica terá, sem dúvida, uma influência importante em como o próximo estágio se desenvolverá".

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