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Atualizado às: 15 de outubro, 2008 - 23h11 GMT (20h11 Brasília)
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Brown propõe 'novo Bretton Woods' para economia mundial

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown
Brown diz que é preciso reconstruir arquitetura financeira internacional
O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, apresentou nesta quarta-feira a líderes da União Européia "um documento sobre as reformas mais importantes para a criação de um novo Bretton Woods".

Ao chegar à sede do Conselho Europeu, em Bruxelas, onde os governantes do bloco iniciaram uma cúpula de dois dias, Brown defendeu a necessidade de uma "reconstrução da arquitetura financeira internacional" para adaptar a economia às mudanças mundiais e pediu que a União Européia lidere o caminho.

"Essa reconstrução pede exatamente a mesma visão que mostramos nos anos 40, quando criamos o FMI (Fundo Monetário Internacional), o Banco Mundial e a ONU (Nações Unidas)", afirmou.

Assinados em 1944 pelos países mais industrializados na época, os acordos conhecidos como Bretton Woods (cidade americana que foi cenário das negociações) estabeleceram as regras para as relações comerciais e financeiras internacionais.

Brown propõe, por exemplo, que as 30 principais instituições financeiras multinacionais sejam supervisionadas por colégios internacionais em vez da supervisão individual realizada hoje por reguladores nacionais.

Em entrevista coletiva ao final do primeiro dia de reuniões, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou que os 27 deram apoio unânime à idéia de Brown de “refundar” o sistema financeiro mundial, que ele agora apresentará ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, com quem deve se reunir no sábado, em Camp David.

Para dar início a esse processo, a UE quer convocar para novembro uma reunião entre o G8 e economias emergentes, entre elas o Brasil, China, Índia e África do Sul. Espanha defendeu que o FMI e o Banco Mundial também participem da discussão.

A idéia de negociar com outros países uma reforma "real e completa" do sistema financeiro internacional deve constar, nesta quinta-feira, da declaração final da cúpula européia.

Reforma global

A iniciativa do primeiro-ministro britânico conta com o apoio da França, que ocupa a presidência rotativa da União Européia.

"No momento em que vimos que as agências de classificação (de risco) não funcionam como deveriam e que o FMI não pôde jogar o papel forte que esperávamos, seria irresponsável não pensar em uma conferência mundial para enfrentar todos esses problemas", disse o primeiro-ministro francês, François Fillon.

"Não é necessário se deter à localização geográfica nem às condições históricas de Bretton Woods", acrescentou o francês.

Em seu discurso aos demais governantes europeus, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, defendeu a criação de "uma nova forma de capitalismo, baseada em valores que coloquem as finanças a serviço das empresas e dos cidadãos, não o contrário".

Também o ministro espanhol de Economia, Pedro Solbes, se disse favorável à iniciativa, mas afirmou que "qualquer revisão do sistema financeiro internacional tem que contar com um apoio muito sólido dos principais atores da economia mundial".

"Se formos capazes de adotar uma posição européia clara, acredito que poderemos jogar um papel muito importante no futuro do sistema financeiro internacional, como jogamos na solução da crise", afirmou Solbes.

Ação coordenada

No primeiro dia de reuniões, os governantes europeus debateram a proposta da Comissão Européia de ampliar para 100 mil euros a garantia mínima para os depósitos em contas bancárias privadas no caso de falência de um banco do bloco.

Segundo Solbes, o projeto enfrenta a divergência de alguns países membros, que consideram suficiente o limite de 50 mil euros.

Sarkozy afirmou que os líderes europeus foram unânimes, no entanto, ao apoiar o plano de ajuda financeira adotado no domingo passado, em Paris, pelos países que utilizam o euro como moeda oficial.

De acordo com o rascunho do documento, os 27 países do bloco se comprometerão a "atuar de forma coordenada e global para proteger o sistema financeiro e os depositantes" e tomar "todas as medidas necessárias" para isso.

Além disso, eles aprovaram a criação de uma “célula de coordenação de crise”, um organismo que dará apoio e coordenará o trabalho dos diferentes reguladores financeiros nacionais.

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