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Atualizado às: 02 de setembro, 2008 - 17h51 GMT (14h51 Brasília)
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Argentina anuncia quitação da dívida com Clube de Paris

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner (foto de arquivo)
Anúncio da presidente Cristina Kirchner surpreendeu analistas
A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou nesta terça-feira o pagamento total da dívida do país com o Clube de Paris, no valor de US$ 6,7 bilhões – dinheiro das reservas do Banco Central.

"Quero anunciar o pagamento da nossa dívida com o Clube de Paris", disse Cristina, sob aplausos. "Uma dívida que começou pelo menos em 1983, quando nasceu nossa democracia."

O anúncio foi feito em uma cerimônia pelo Dia da Indústria, na Casa Rosada, e surpreendeu empresários e políticos presentes no encontro, além de economistas e formadores de opinião do país. O pagamento da dívida estava suspenso desde 2001.

A decisão da presidente ocorre em meio a um novo fantasma sobre a capacidade da Argentina de pagar suas dívidas.

Desconfiança

Segundo analistas, o país e seus industriais têm ainda mais dificuldades de conseguir crédito no mercado internacional devido ao default de 2001 e a medidas do governo, como a de não reconhecer a alta da inflação, o que tem contribuído para o aumento da desconfiança na Argentina.

Há duas semanas, os títulos da dívida do país despencaram no mercado internacional e a agência classificadora de riscos Standard & Poor's (S&P) reduziu a nota do país, sinalizando dificuldades da Argentina para cumprir seus compromissos financeiros.

A queda dos títulos e a decisão da S&P ocorreram depois que a Argentina vendeu mais um lote de títulos públicos ao governo do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

A Argentina pagou à Venezuela 15% pela venda destes títulos, taxa que foi considerada alta demais pelo mercado financeiro.

O líder venezuelano, então, colocou rapidamente os papéis no mercado internacional, contribuindo para a desconfiança na Argentina. Hoje, a Venezuela é o único credor do país.

Imagem

"O pagamento desta dívida pode melhorar a imagem da Argentina junto aos países desenvolvidos, que integram o Clube de Paris", disse o comentarista econômico da emissora de TV TN (Todo Notícias), Marcelo Bonelli.

"Hoje, temos relação com o Brasil e a Venezuela, mas isoladamente com o restante do mundo", acrescentou Bonelli.

O economista Manuel Solanet, especializado em finanças, afirmou que o pagamento da dívida era uma medida necessária "porque já não havia mais créditos nem para o setor público e nem para o setor privado".

"Mas pagar a dívida com reservas do Banco Central não é positivo", disse Solanet. "O governo poderia ter apelado por uma reestruturação, mas não pelo uso de reservas que são da autoridade monetária, e não do governo."

"Sem acordo com o Clube de Paris, a Argentina não tinha mais crédito para os projetos de infra-estrutura que vinha anunciando", afirmou o economista Orlando Ferreres, da consultoria Ferreres e Associados.

"E para chegar a este acordo dependia de aval do FMI (Fundo Monetário Internacional), o que o governo não queria", completou.

FMI

Em seu discurso, Cristina lembrou que o país quitou a dívida que tinha com o FMI – medida adotada durante a gestão do seu marido, Néstor Kirchner (2003 a 2007).

"Não foram dívidas contraídas nas nossas gestões, mas que estamos pagando para facilitar o desenvolvimento do país", disse a presidente.

Atualmente, o Banco Central tem reservas recordes de cerca de US$ 47 bilhões, que cairão para em torno de US$ 41 bilhões com o pagamento ao Clube de Paris.

A presidente do Banco Nación da Argentina, Mercedes Marcó del Pont, disse que o pagamento vale a pena, mesmo com reservas do BC.

"Com esse pagamento, os industriais terão acesso a créditos que estavam fechados", disse Del Pont. "O uso de reservas para o pagamento desta dívida abrirá a possibilidade de novos financiamentos para a Argentina e seus industriais."

Brasil

Em seu pronunciamento, a presidente argentina disse que o setor industrial vem crescendo no país.

"Desde 2003 a fins de 2007, surgiram na Argentina mais de 10 mil indústrias", afirmou. "A mesma quantidade de indústrias que tinham desaparecido (na crise) entre 1998 e 2002."

Cristina Kirchner disse ainda que assinará um acordo com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), na próxima segunda-feira, no Brasil, onde estará a convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo a presidente, haverá uma linha de crédito de US$ 200 milhões para estimular as exportações da Argentina para o Brasil e outros países.

Hoje, a Argentina acumula vários meses de déficit na balança comercial com o mercado brasileiro.

"Ainda temos que ver como será esse acordo com o BNDES", disse o presidente da UIA (União Industrial Argentina), Juan Ascurain. "Ainda faltam os detalhes, que não conhecemos."

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