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Atualizado às: 14 de junho, 2008 - 02h49 GMT (23h49 Brasília)
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Argentina: Dívida pública 'é a maior desde 2001'

Protestos na Argentina. Foto: AFP
Os recentes protestos agravam a situação econômica do país
Um estudo realizado por economistas argentinos sugere que a dívida pública do país é a maior desde a histórica crise econômica de 2001.

A pesquisa Dívida e Inflação: de volta para o futuro, dos economistas Martín Krause e Aldo Abraham, é baseada em dados oficiais e indica que, atualmente, a dívida pública é de US$ 144,7 bilhões (R$236,5 bi) e representa 56% do Produto Interno Bruto (PIB).

Em 2001, na época da crise, o valor registrado era de US$ 144 bilhões (R$235,3 bi) - equivalente a 54% do PIB.

De acordo com os pesquisadores do Centro de Pesquisa de Instituições e Mercados da Argentina, o quadro atual fez reaparecer os "piores fantasmas" argentinos – inflação e default.

Fatores

Em entrevista à BBC Brasil, Abraham afirmou que há muitos motivos para o alto valor da dívida pública. Entre eles, o economista cita o pagamento dos bônus com valores amarrados à inflação em alta e o recorde de crescimento econômico, que surgiram depois da reestruturação da dívida, há três anos.

Além disso, ele ressalta ainda o pagamento que o Estado assumiu com a desvalorização das dívidas das províncias, após o colapso político e econômico.

"A dívida argentina nunca ficou abaixo de 50% do PIB, mas agora chamamos a atenção do governo para os riscos de suas ações, para que não se repita o que aconteceu com o país”, afirmou.

Abraham destaca ainda que a situação da Argentina hoje é “muito melhor do que a de 2001, com mais reservas no Banco Central e maior nível de confiança dos consumidores”.

"No entanto, esta confiança está caindo mês a mês, segundo diferentes indicadores, e aí está o perigo", afirmou o economista.

Segundo ele, a combinação da inflação "maquiada" com o conflito entre o governo e o setor rural e os caminhoneiros, tem aumentado as incertezas dos consumidores que retiram seus pesos do banco para comprar dólares, levando o Banco Central a gastar as reservas para conter o preço do câmbio.

"Se estes erros forem corrigidos é possível colocar um freio nesta situação", afirmou.

Inflação

O estudo afirma ainda que a Argentina aparece com uma taxa de inflação "galopante", que está provocando a "desaceleração" do crescimento econômico e empurrando o incremento da dívida pública.

De acordo com o pesquisadores, o valor da dívida chegaria aos 67% do PIB, totalizando US$ 170 bilhões (R$277 bi), caso fosse incluída a dívida não paga.
O documento ressalta ainda outros fatores sobre a situação econômica da Argentina.

"O descontrolado crescimento do gasto público, de cerca de 50% durante o ano eleitoral de 2007, não foi freado e a falta de acesso aos mercados de financiamento leva o governo a aumentar a pressão impositiva, o que levou ao protesto do setor rural".

O estudo aponta ainda que, atualmente a Argentina só tem acesso aos créditos concedidos pela Venezuela e ao mercado local, que tem registrado forte alta nos juros (cerca de oito pontos nos últimos três meses, quando começou o protesto rural) e menor interesse pelos títulos públicos oferecidos pelo governo.

A pesquisa Dívida e Inflação: de volta para o futuro será apresentado na próxima semana durante um seminário de finanças em Buenos Aires.

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