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Atualizado às: 06 de junho, 2008 - 21h27 GMT (18h27 Brasília)
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Greves ampliam temor de desabastecimento na Bolívia e Argentina

Caminhões foram impedidos por fazendeiros de trafegar por estradas na Argentina
Estradas foram bloqueadas por caminhões na Argentina

Greves dos caminhoneiros na Argentina e na Bolívia pararam estradas nesta sexta-feira e aumentaram o temor de desabastecimento de combustíveis e produtos básicos nesses países.

Na Argentina, os caminhoneiros completaram o terceiro dia de paralisação com bloqueio do trânsito, pedindo um acordo entre o governo e ruralistas, que protestam há 87 dias contra o aumento de impostos sobre as exportações.

Os caminhoneiros argentinos argumentam que estão sem trabalhar, já que os ruralistas impedem o transporte dos grãos para exportação.

Nesta sexta-feira, ocorreram diferentes incidentes nas Províncias de Santa Fé e de Córdoba entre os caminhoneiros e os ruralistas, que, em alguns momentos, também impediram o trânsito nas estradas.

Em abril, o protesto dos ruralistas provocou falta de alimentos. Supermercados de diferentes bairros de Buenos Aires estão registrando longas filas de consumidores que compram alimentos para armazenar.

Bolívia

Na Bolívia, as autoridades também temem o desabastecimento e já anunciaram que estão tomando medidas para evitar que as paralisações afetem a distribuição de produtos.

Os caminhoneiros bolivianos anunciaram o protesto na terça-feira passada, prometendo o bloqueio de algumas das principais estradas do país. Eles pedem a redução de impostos para o setor.

A paralisação afeta estradas de acesso aos Departamentos (equivalente a Estados) de La Paz, Potosí, Tarija, Chuquisaca, entre outros, segundo o chefe de trânsito da estação de ônibus de La Paz, coronel José Murillo.

Na quinta-feira, trezentos policiais liberaram o trânsito na estrada que liga Cochabamba a La Paz, uma das principais da Bolívia.

O presidente da Central de Transporte de Carga de Cochabamba, Johnny Torrico, disse que a suspensão do bloqueio foi temporária e que um novo protesto poderá ser realizado a partir deste sábado.

"Além dos policiais, fomos rodeados por outras pessoas que chegaram em três caminhões", disse Torrico.

Em Chuquisaca, o líder dos caminhoneiros Rubén Pérez disse que o protesto não tem data para terminar. "Podemos terminar interrompendo o trânsito nas ruas e avenidas das principais cidades do país", disse.

Acordo

No Chile, país que já enfrentava problemas de falta de produtos em algumas regiões, os caminhoneiros chegaram a um acordo com o governo.

Cerca de 40 mil caminhoneiros estavam parados desde a terça-feira, provocando a falta de alimentos e gasolina, principalmente no interior. Após o acordo com o governo, eles prometeram voltar imediatamente ao trabalho.

Os caminhoneiros chilenos pediam a eliminação dos impostos no pagamento dos combustíveis. O governo oferecia uma redução de até 50%.

Depois de mais de oito horas de reunião, nesta sexta-feira, os líderes do protesto aceitaram uma nova oferta do governo, de corte 80% na carga tributária, segundo o jornal La Tercera.

O ministro do Interior, Felipe Harboe, disse que o objetivo agora é reabastecer os supermercados e postos de gasolina do país. "Foram formados verdadeiros comboios, com escolta policial, para abastecer as localidades mais afetadas (com a paralisação) no país", disse Harboe.

A decisão do governo provocou polêmica em alguns setores e levou o porta-voz do Palácio presidencial, Francisco Vidal, a declarar: "Essa foi uma situação especial e se algum outro setor pensa que pode fazer o mesmo está muito enganado (...). O país não suportava mais a situação que tínhamos começado a viver".

Na Argentina e na Bolívia, ainda não existem sinais de um acordo.

Protesto na ArgentinaArgentina
Entenda os protestos realizados pelos produtores rurais.
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