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Atualizado às: 28 de maio, 2008 - 02h22 GMT (23h22 Brasília)
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Produtores rurais argentinos retomam protestos

Protesto de produtores rurais argentinos (foto de arquivo)
Aumento de impostos motivou protestos do setor rural argentino
Os produtores rurais argentinos decidiram nesta terça-feira retomar a mobilização contra o governo, no que chamaram de "plano de luta".

As quatro principais entidades de produtores do país anunciaram que a partir desta quarta-feira será suspensa a comercialização e a exportação de grãos.

Na quinta-feira, a medida de protesto será ampliada também para o setor de carne, segundo os produtores.

De acordo com os dirigentes das entidades, esse "plano de luta" seguirá, pelo menos, até 9 de junho.

O presidente das Confederações Rurais Argentinas, Mario Llambias, leu um comunicado informando que o protesto incluirá acampamentos em locais públicos, abaixo-assinado e apelo aos políticos das províncias produtoras.

Llambias informou que os líderes das quatro entidades enviaram cartas (pedindo apoio) à Igreja Católica, à Suprema Corte de Justiça e ao Congresso Nacional.

Desabastecimento

Os protestos do setor rural argentino foram iniciados em março, motivados pelo aumento de impostos sobre as exportações agropecuárias, principalmente de soja.

As manifestações se transformaram na maior crise enfrentada pela presidente Cristina Kirchner desde que assumiu o poder, em dezembro passado, e acabaram provocando a queda do ministro da Economia, Martín Lousteau.

Os produtores chegaram a manter uma trégua de um mês, mas retomaram os protestos no início de maio, após o fracasso das negociações com o governo.

Desde março, os protestos já envolveram o bloqueio de estradas e panelaços nas principais cidades argentinas e chegaram a provocar desabastecimento no país.

Desta vez, no entanto, os produtores afirmaram que não haverá desabastecimento.

"Não faltará carne, porque os frigoríficos estão cheios, abastecidos para atender o mercado interno pelos próximos 20 dias", disse Alfredo de Angelis, líder rural em Gualeguaychú, na província de Entre Rios, por onde passam diariamente vários caminhões brasileiros.

Apoio

Na noite desta terça-feira, o ex-presidente Néstor Kirchner, marido da presidente Cristina Kirchner, reuniu-se com integrantes do seu partido, o Partido Justicialista (PJ, peronista), para definir uma estratégia de apoio ao governo nacional.

Kirchner é o presidente do PJ, o principal partido da Argentina. No fim do encontro, governadores leram um comunicado criticando os produtores rurais.

"Esse é um ataque antidemocrático. (...) E o governo ratifica seu rumo econômico", disse o governador da província do Chaco, Jorge Capitanich. "O setor rural desrespeita a vontade popular."

Mais cedo, também nesta terça-feira, Cristina Kirchner já havia pedido "tolerância" aos produtores rurais.

Protesto na ArgentinaArgentina
Entenda os protestos realizados pelos produtores rurais.
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