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Briga entre governo e ruralistas vai parar na Justiça argentina | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A briga entre o governo argentino e os ruralistas, que se arrasta há três meses e já resultou em três meses de protestos e períodos de desabastecimento, foi parar na Justiça. O governador da província de São Luis, Alberto Rodríguez Saá, da oposição, entrou com um processo na Suprema Corte do país contra o governo da presidente Cristina Kirchner que, em março, determinou um imposto sobre as exportações de grãos. A sobretaxa gerou revolta entre os ruralistas, que fizeram uma greve e protestos impedindo a circulação de caminhões de carga. Na noite de terça-feira, a Suprema Corte da Argentina anunciou que o governo terá até 60 dias para se posicionar sobre o processo movido por Rodríguez Saá em favor do setor rural. “A Justiça decidiu que o caso merece ser estudado. Isso já é um passo importante”, disse Rodríguez Saá. Protestos Depois de quase 90 dias em greve e sem chegar a um acordo com o governo, os ruralistas decidiram pôr fim à paralisação no domingo. A trégua gerou esperanças de que os protestos dos caminhoneiros, que na semana passada manifestaram contra a greve dos ruralistas, chegariam ao fim. Mas na noite de terça-feira eles voltaram a interditar várias estradas alegando que, mesmo com fim da greve, ainda estão sem trabalho. Centenas de motoristas voltaram a bloquear o trânsito em mais de cem estradas das principais províncias do país, entre elas Buenos Aires, Santa Fé, Córdoba e Entre Rios. O presidente da Federação dos Transportistas de Buenos Aires, Miguel Angel Betili, disse a emissoras de rádio da Argentina que a categoria está há três meses sem trabalho. "São 90 dias sem poder trabalhar e estamos cansados e sem dinheiro. Não estamos contra o governo, mas a favor do trabalho". O presidente da Federação Agrária Argentina, Eduardo Buzzi, disse em entrevista à emissora C5N que o imposto sobre as exportações de grãos “é um desastre e está gerando uma série de problemas que o governo se nega a ver", disse. "Os produtores esperavam uma solução por parte do governo, mas isso não aconteceu", completou o presidente da Sociedade Rural, Luciano Miguens. Plano social As novas manifestações ocorrem um dia depois que Cristina Kirchner afirmou, em cadeia de rádio e de televisão, que os impostos sobre as exportações serão destinados a um plano social que incluirá construção de hospitais, postos de saúde e estradas. Na terça-feira, o chefe de gabinete (equivalente a chefe da Casa Civil) da Presidência, Alberto Fernández, disse que o conflito com o setor rural era "assunto encerrado". Já o Defensor do Povo da Nação - que exerce um cargo de negociador - Eduardo Mondino, disse que vai "insistir" até que o governo "aceite" dialogar com produtores rurais. O setor rural é o principal braço da economia argentina, responsável por mais de 30% dos empregos, de acordo com dados de diferentes economistas do país. |
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