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Índia sofre com alta do arroz apesar de liderança no mercado | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Apesar de estar entre os três maiores produtores mundiais de arroz, a Índia também sofre com a alta internacional do preço do grão e teve de adotar medidas como a proibição de parte das exportações para suprir a demanda interna e conter pressões inflacionárias. Desde abril de 2007, o preço médio mundial da tonelada de arroz passou dos US$ 300/400 a tonelada para quase US$ 1.000, de acordo com dados da FAO, a agência das Nações Unidas para agricultura e alimentação. Em meio à alta dos preços, a Índia suspendeu, em março, as exportações do arroz não-basmati e sobretaxou em US$ 1.000 a tonelada do arroz basmati para desestimular a comercialização internacional. A medida teve forte impacto no mercado mundial, que negocia apenas cerca de 7% de toda a produção global, segundo dados do Departamento de Agricultura americano, USDA. Ainda de acordo com a USDA, cerca de 93% da produção global de arroz não deixa os países de origem. Com exportações da ordem de 4,4 milhões de toneladas em 2006 e 5 milhões de toneladas em 2007, a Índia se posiciona entre os três maiores produtores mundiais, junto à Tailândia e o Vietnã. Protecionismo Ajay Goyal, de 32 anos, é proprietário de uma mercearia que vende arroz a granel (atacado) na região de Paharganj, em Nova Déli. Em entrevista à BBC Brasil, ele disse que, na prática, a maior oferta do produto por causa da proibição de parte das exportações ainda não se traduziu em preços mais baratos. Goyal diz que, no final de abril, cobrava 38 rúpias (R$1,45) pelo quilo do arroz, enquanto no mesmo período do ano passado, vendia a mesma quantidade a 28 rúpias (R$1,07). “Nem todos podem pagar. Estou perdendo alguns clientes”, lamenta. A suspensão das exportações acabou desencadeando uma onda de protecionismo, pois outros países seguiram o exemplo indiano com medo de ficar sem arroz. O Brasil, que não é considerado grande produtor do grão (a safra brasileira de 2007 foi de 11,3 milhões de toneladas) também suspendeu suas vendas ao exterior. Dados preliminares da FAO apontam que em 2007 a Índia produziu 95,68 milhões de toneladas, um aumento de 2,5% em relação aos 93,35 milhões de toneladas obtidas na safra anterior. Embora a colheita do ano passado tenha sido maior, a exportação será menor. Na safra de 2006, cerca de 5 milhões de toneladas foram exportadas, enquanto que apenas 2 milhões de toneladas da safra do ano passado deverão ter o exterior como destino. A safra de 2008 ainda não começou a ser negociada. Parte do que ainda será exportado foi negociado antes do governo suspender as exportações. Efeitos colaterais “A interrupção nas exportações estabiliza os preços no mercado doméstico, mas tem como efeito colateral a pressão no mercado internacional”, explica Concepción Calpe, analista especializada em arroz na FAO, à BBC Brasil. Segundo ela, a medida ajuda a garantir que o governo tenha grãos suficientes para atender ao programa de distribuição de arroz que beneficia centenas de milhões de indianos que vivem abaixo da linha de pobreza. Indiretamente, porém, o fim das exportações prejudica países pobres e dependentes como Bangladesh, que este ano terá de importar pelo menos 1,5 milhão de toneladas para compensar as perdas com as secas da safra passada. No caso do país vizinho, a Índia afirmou que fará uma exceção humanitária e doará 450 mil toneladas de arroz até o final do ano. Outros países em desenvolvimento, entretanto, não tiveram a mesma sorte e deverão ficar à mercê dos preços mundiais. Razões da Crise A alta nos preços do arroz, apesar de amena se comparada com a de outros grãos, acontece porque nos últimos seis anos a demanda tem excedido a produção mundial em cerca de 10,5 milhões de toneladas, segundo dados do Departamento de Agricultura americano, USDA . "Secas e aumento na demanda ocorreram ao mesmo tempo em que reservas estavam muito baixas", explicou Siwa Msangi, especialista do Instituto Internacional de Pesquisa de Políticas Agrícolas, com sede em Washington. “Normalmente existem reservas que amortecem oscilações do mercado, mas dessa vez não havia defesas suficientes”, disse Msangi à BBC Brasil. Os estoques mundiais de arroz atingiram os níveis mais baixos desde a década de 70, aponta o USDA. De acordo com relatório da USDA divulgado em maio, atualmente cerca de 82,5 milhões de toneladas estão estocadas, mas essa quantidade corresponde a pouco menos de 19% do consumo mundial estimado para esse ano. Em 2002, por exemplo, as reservas mundiais de arroz supriam 26% da demanda anual. Crescimento e Inflação Estimativas divulgadas pelo governo da Índia na última sexta-feira apontam para uma desaceleração da economia. A estimativa é de que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) seja de 8,5% em 2008, uma redução de 0,5 ponto percentual em relação aos 9% registrados em 2007. A suspensão das exportações também tem por objetivo limitar as pressões inflacionárias. No ano passado a Índia proibiu o comércio futuro do arroz para acabar com o que chamou de “especulações” nocivas. Em maio, o índice de preços ao consumidor registrou elevação de 8,1%, atingindo o nível mais alto dos últimos 14 meses. Inicialmente a meta do Banco Central indiano era manter a inflação na casa dos 5,5%. Segundo a FAO, em 2007 o preço dos alimentos na Índia sofreu elevação de 5,8%, contribuindo em quase 2% para o aumento da inflação. |
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