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Atualizado às: 29 de maio, 2008 - 15h43 GMT (12h43 Brasília)
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Biocombustíveis devem ajudar a manter preço alto de alimentos, diz estudo

Caminhão é carregado com milho no Illinois (arquivo)
Forte demanda por milho nos EUA transformou mercado de cereais
O aumento da produção de biocombustíveis deverá contribuir para manter os preços altos dos alimentos, afirma um estudo publicado em conjunto pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

"Apesar do volume recorde atingido pelas plantações de trigo e cereais secundários durante a colheita 2007-2008, e um aumento moderado, mas constante, da produção nos próximos anos, os mercados de cereais vão permanecer tensos até 2017", diz o relatório Perspectivas Agrícolas 2008–2017.

Segundo o estudo da OCDE e da FAO, a forte demanda por milho nos Estados Unidos suscitada pelo desenvolvimento rápido do etanol no país transformou profundamente o mercado de cereais secundários (todos, exceto o trigo e o arroz).

De acordo com as duas organizações, 40% da produção de milho nos Estados Unidos poderá, em 2017, ser destinada à fabricação de biocombustíveis.

"O crescimento da indústria do etanol produzido com cereais, sobretudo nos Estados Unidos e na Europa, como também a necessidade crescente da utilização desses produtos na alimentação animal, vão pesar ainda mais sobre os estoques, que já desceram a níveis críticos", diz o estudo.

Maior produtor

A utilização de cereais na fabricação de biocombustíveis deve dobrar nos próximos dez anos, segundo o relatório. Pela primeira vez, a OCDE divulgou projeções sobre a produção de biocombustíveis.

"A produção mundial de etanol registrará progressos rápidos e atingirá cerca de 125 bilhões de litros em 2017, o dobro do volume em 2007."

O Brasil, diz o estudo, continuará sendo o maior produtor e exportador mundial de etanol e de cana-de-açúcar.

A participação da cana-de-açúcar destinada à fabricação do biocombustível brasileiro passará de 51% em média, durante o período 2005-2007, para 66% nos próximos dez anos.

"No entanto, essa evolução não vai limitar a quantidade de cana disponível para a produção e as exportações de açúcar, já que a produção brasileira de cana-de-açúcar deverá aumentar em 75% até 2017", afirma o relatório.

Apesar do aumento da produção brasileira, os preços do açúcar, em razão da demanda interna e internacional, deverão se fortalecer.

Segundo as previsões, os preços do açúcar bruto e refinado devem aumentar em 30%. A carne bovina e de porco deve registrar alta de 20% até 2017. O trigo, o milho e o leite desnatado em pó devem aumentar de 40% a 60% no período.

Lavoura de cana-de-açúcar no BrasilBiocombustíveis
Estudo do WWF defende benefício ambiental do etanol.
'Financial Times'
Práticas ruins mancham indústria brasileira do etanol.
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