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Estudo do WWF defende benefício ambiental do etanol | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A produção de etanol à base de cana-de-açúcar tem efeitos benéficos do ponto de vista ambiental, não avança sobre áreas de floresta na Amazônia e não compete de forma significativa com a produção de alimentos, afirma um estudo divulgado nesta segunda-feira pela organização ambientalista WWF-Brasil. "O estudo conclui que existem benefícios ambientais confirmados e consolidados no que diz respeito à produção de etanol (a partir de cana-de-açúcar)", disse à BBC Brasil o coordenador do programa de Agricultura e Meio Ambiente da ONG, Luis Fernando Laranja, um dos autores do relatório. O governo brasileiro defende a produção de etanol e rejeita críticas de que traria riscos ambientais à Amazônia e contribuiria para a atual crise mundial dos alimentos. "(O estudo) referenda a posição defendida pelo governo brasileiro", disse Laranja, ao ser questionado sobre essa posição. "Do ponto de vista ambiental, é um bom negócio substituir gasolina por etanol", afirmou. Conforme Laranja, os benefícios do etanol brasileiro são verificados particularmente na redução de gases causadores do efeito estufa. Segudo ele, o etanol brasileiro tem um balanço energético mais positivo (ou seja, é mais eficiente) do que, por exemplo, o etanol à base de milho, produzido nos Estados Unidos. "Mitos" O estudo do WWF-Brasil analisou o que Laranja definiu como "alguns mitos que envolvem a produção de etanol". O primeiro seria sobre a eventual expansão de plantações de cana-de-açúcar na Amazônia. "Não temos risco imediato e real de expansão da produção de cana-de-açúcar na Amazônia. O que existe é irrisório", disse Laranja. Segundo ele, há em torno de 200 mil hectares de cana-de-açúcar na Amazônia. "Isso não significa nada no universo da Amazônia. Só de pastagens, há 50 milhões de hectares", afirmou. O segundo ponto analisado é o quanto a produção de cana-de-açúcar compete com outras culturas alimentares, considerando-se o atual cenário de crise mundial dos alimentos. De acordo com Laranja, esse risco é baixo. "Compete pouco com as culturas alimentares, especialmente porque ocupa pouca área. São 7 milhões de hectares de cana-de-açúcar, sendo que metade vai para a produção de açúcar, e a outra metade para o etanol", disse. Riscos O estudo, porém, alerta para alguns riscos ambientais da produção de etanol em escala regional. "É uma cultura muito concentrada, quase toda no Estado de São Paulo e em regiões vizinhas. Muita cana-de-açúcar em uma área pequena", disse Laranja. De acordo com ele, isso representa um risco em potencial sobre a biodiversidade. "Pode ter efeitos sobre recursos hídricos, efeitos diretos sobre o solo." "Precisamos fazer essa ocupação das novas áreas de forma mais estratégica, da maneira mais racional possível", disse. De acordo com Laranja, é necessário, por exemplo, "obediência irrestrita" às áreas de preservação permanente, além de observar o código florestal. "Precisamos pensar, por exemplo, na construção de novas unidades de conservação no Cerrado", afirmou. Posição oficial O relatório divulgado nesta segunda-feira não representa ainda a posição oficial da ONG. Segundo Laranja, as conclusões do estudo servirão para "subsidiar uma decisão sobre o tema", que deverá ser divulgada "nas próximas semanas". "A rede WWF mundial tem uma posição genérica sobre biocombustíveis mais ou menos alinhada com o estudo", afirmou Laranja. O estudo foi encomendado há três anos e é parte de um projeto maior, financiado pelo Ministério de Assuntos Internacionais da Holanda. O objetivo inicial, de acordo com Laranja, era avaliar os efeitos da expansão do setor de cana-de-açúcar no Brasil em razão da suposta liberalização do comércio mundial dentro da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). A Rodada de Doha ainda não foi concluída mas, segundo Laranja, no decorrer desses três anos, uma série de transformações conjunturais em todo o mundo, especialmente no que diz respeito ao aquecimento global, colocaram o etanol em posição de destaque na agenda global. "Direcionamos o projeto para analisar a expansão do setor sucroalcooleiro no Brasil e suas conseqüências socioambientais", disse Laranja. |
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