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Polêmica sobre biocombustíveis deve dominar Cúpula América Latina-UE | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A polêmica sobre a produção de biocombustíveis e sua incidência sobre o aumento dos preços agrícolas deverá ser um dos principais pontos de divergência da 5ª Cúpula de Chefes de Estado da América Latina, Caribe e União Européia, que começa nesta quinta-feira em Lima. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega à capital peruana nesta tarde para tentar convencer seus colegas da região que o etanol à base de cana-de-açúcar não é o responsável pela recente crise que provocou protestos em diferentes partes do mundo. Mas de acordo com analistas a tarefa do presidente brasileiro não será tão simples. "O que entrará em debate não é somente a origem do etanol brasileiro e sim o modelo de produção de biocombustíveis como um todo e sua real ameaça à produção de alimentos", afirmou à BBC Brasil o analista político Ernesto Velit, da Universidade Ricardo Palma, em Lima. "Não sei o que fará Lula para convencer seus colegas, mas certamente enfrentará muita oposição", acrescentou. Do lado latino-americano, as críticas à produção de biocombustíveis têm origem inclusive em governos com modelos opostos de desenvolvimento. Os presidentes do Peru, Alan Garcia, e da Bolívia, Evo Morales, que divergem sobre um tratado comercial com a União Européia, concordam que a produção dos biocombustíveis ameaça as áreas destinadas à produção de alimentos. Para o analista político peruano Alejandro Deustua, os chefes de Estado devem reorientar suas críticas. A seu ver, ao atribuir a responsabilidade da inflação dos preços dos alimentos à produção de etanol se ignora dois aspectos que ele considera fundamentais para ponderar a polêmica. "É preciso considerar a especulação no mercado de alimentos, que foram convertidos em commodities, e não se pode descartar que há interesses políticos em gerar uma crise em torno do biocombustível", afirmou Deustua à BBC Brasil. "Antes de condenar, é preciso estudar e avaliar." O presidente da comissão organizadora da Cúpula, Ricardo Vega Llona, admitiu nesta quarta-feira que o tema alimentar "demandará mais esforços para se ajustar a declaração final", da Cúpula. Desafios A agenda oficial da Cúpula abarca temas como o combate a pobreza, a exclusão social e mecanismos para frear o aquecimento global. "Crescer sem pobreza e fazê-lo respeitando o meio ambiente são os grandes objetivos deste diálogo que estamos seguros que terá resultados claros", disse o presidente peruano, Alan Garcia.
Mas, na prática, não haverá surpresas, de acordo com analistas. O acordo de associação entre o Mercosul e a União Européia, uma das expectativas da Cúpula, tende a ser adiado uma vez mais, já que as negociações sobre os subsídios agrícolas, de grande interesse para os latino-americanos, continuam estancadas da Rodada de Doha. Os europeus, por sua vez, não abrem mão de obter maior acesso ao mercado sul-americano. O impasse deve continuar. "Essa será uma reunião mais política do que econômica. Não serão assinados nenhum tratado ou convênio importante", acredita Ernesto Velit. Para Velit, o principal desafio dos governantes que participarão do evento será o de aplicar mecanismos para dar seguimento às políticas acordadas nas Cúpulas presidenciais para combater a pobreza, que até agora, a seu ver, são pouco efetivas. Itaipu Na América Latina quase um terço da população – ou cerca de 220 milhões de pessoas – são pobres. O documento final do encontro já começou a ser redigido por altos funcionários de governos e será ajustado nesta quinta-feira pelos chanceleres. Na sexta-feira, ele deve ser assinado pelos 45 chefes de Estado que devem comparecem ao encontro. Na sexta-feira, Lula deverá se reunir com o presidente do Paraguai, Nicanor Duarte Frutos, e com o presidente eleito Fernando Lugo, que pretende discutir com o mandatário brasileiro a revisão dos tratados da hidrelétrica binacional de Itaipu. Tratado como um de seus principais temas de campanha, Lugo defende uma revisão dos valores do acordo para que o Paraguai receba "um preço justo" pela energia que vende ao Brasil. |
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