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Atualizado às: 29 de abril, 2008 - 03h01 GMT (00h01 Brasília)
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Alta de alimentos se deve a petróleo e não a etanol, diz Dilma

O presidente dos EUA, George W. Bush, e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, em encontro em Washington
Ministra participou de encontro com Bush e executivos de empresas
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse nesta segunda-feira, em Washington, que a inflação mundial de alimentos se deve à alta do petróleo e que o etanol não tem influenciado o processo.

''Esse é o maior impacto que tem havido recentemente, a alta do petróleo. Não me consta que os biocombustíveis participem de forma expressiva na matriz de combustíveis internacional", disse a ministra.

"(Os biocombustíveis) têm uma paritipação residual. Então, o efeito dos combustíveis sobre os alimentos se deve ao aumento do preço do petróleo. Isso é um fato.''

Os comentários da ministra foram feitos pouco após a sua participação no 2º Fórum de CEOs, que contou com a presença do presidente George W. Bush e de dez altos executivos do Brasil e outros dez dos Estados Unidos.

A ministra disse que acha ''muito estranho algumas afirmações'' que relacionam a inflação alimentar vivida mundialmente com os biocombustíveis e que estabelecer essa relação é uma leitura ''completamente tendenciosa'', que a deixa ''bastante preocupada''.

Fatores

Dilma disse que o aumento da demanda por alimentos na China e na Índia, bem como uma série de fatores naturais, contribuíram para a inflação alimentar.

''Algo que se deve constatar é que na China e na Índia vai haver mais pessoas comendo melhor, inclusive comendo proteína. Comer proteína não pode ser direito exclusivo dos países mais ricos.''

A ministra acrescentou que ''tudo isso significou uma grande pressão, junto com problemas de mudança de clima, secas, tempestades, terremotos, enfim, uma série de acidentes naturais''.

Segundo Dilma, o etanol brasileiro, feito a partir da cana-de-açúcar, não é um dos fatores que contribuem para o atual quadro.

''Não é possível culpar a cana-de-acúcar, que ocupa uma parte inexpressiva das terras agricultáveis, dista quase mil quilômetros da Floresta Amazônica. Não se pode falar em desmatamento.''

A ministra acrescentou que ''neste momento, em que se dá toda essa pressão em relação aos alimentos, é bom que os países desenvolvidos pensem a respeito de todos os mecanismos de proteção que fazem sobre sua própria agricultura e impedem que a agricultura dos países em desenvolvimento, principalmente os mais pobres, cresça e se expanda de forma sustentável, porque eles não têm para quem vender''.

Rice

Também nesta segunda-feira, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, relacionou a alta alimentar à ausência de limites de importações por parte de grandes consumidores, como a China.

Rice acrescentou, porém, que o ato de destinar terras agrícolas para a produção de biocombustíveis pode ter um papel na atual inflação.

''Aparentemente têm algum efeito, uma conseqüência não desejada em meio aos esforços para obter combustíveis alternativos", disse Rice, em um encontro em Washington, ao ser ouvida sobre a posição do governo George W. Bush sobre a disparada dos preços dos alimentos.

Rice disse que os Estados Unidos acreditam ''que os biocombustíveis continuarão sendo uma peça extremamente importante para uma matriz energética alternativa, obviamente queremos estar certos de que não terão efeitos adversos".

Mas a secretária de Estado fez uma ressalva: "Pensamos que essa não é a causa principal do problema, mas de fato deve fazer parte dele".

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