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Para analistas, acordo no Líbano não é solução de longo prazo

Cartaz com foto de Michel Suleiman em estrada próxima a Beirute
Parlamento deve eleger o general Suleiman para a Presidência
Após o anúncio do acordo entre partidários do governo libanês e a oposição, liderada pelo Hezbollah, muitos libaneses saíram eufóricos às ruas para celebrar o fim da crise. Mas analistas avisam que ainda é cedo para comemorar.

O acordo, assinado na quarta-feira em Doha, no Catar, encerrou 18 meses de crise política que quase levou o país a uma guerra civil.

No domingo, o parlamento libanês deve eleger o comandante do Exército, general Michel Suleiman, como o novo presidente do país.

Mas para a analista Amal Saad-Ghorayeb, uma especialista em Hezbollah, o acordo em Doha trouxe apenas uma trégua entre governo e oposição, não uma solução.

"O acordo falhou ao não discutir pontos essenciais, como a ambição militar do Hezbollah", disse ela.

Ceticismo

Para Saad-Ghorayeb, o acordo não alvejou os problemas reais, aqueles que levaram o país para sua recente crise.

"Ao não discutir as armas do Hezbollah, seu status enquanto partido político e sua relação com o governo libanês, o acordo apenas serviu como uma atadura para amenizar a crise, não um remédio".

O diretor do Centro Carnegie para o Oriente Médio, Paul Salem, se mostra cético quanto à real disposição dos políticos de manterem os acordos por completo.

 O Hezbollah provou que é muito poderoso e, ao contrário do que lideranças governistas querem acreditar, o grupo xiita saiu vitorioso dos acordos em Doha, ganhando poderes de veto dentro do futuro governo libanês.
Paul Salem, diretor do Centro Carnegie para o Oriente Médio

Para ele, o acordo de Doha somente criou uma nova balança de poder, falhando ao não analisar um grande número de assuntos centrais e contraditórios, como a questão de haver dois Estados paralelos no Líbano, o do Hezbollah e o do governo libanês.

"O Hezbollah provou que é muito poderoso e, ao contrário do que lideranças governistas querem acreditar, o grupo xiita saiu vitorioso dos acordos em Doha, ganhando poderes de veto dentro do futuro governo libanês", argumentou Salem.

Ele disse que as negociações entre os líderes libaneses removeram a possibilidade de novos confrontos entre facções políticas rivais nos próximos meses, mas mudanças no longo prazo dependerão do cenário regional, ou seja, do confronto entre duas agendas rivais - a dos Estados Unidos e a do Irã.

Instituições

Parte da imprensa e outros analistas também se mostram cautelosos quanto ao futuro do Líbano no longo prazo, mas outros analistas vêem o lado bom do acordo em Doha.

O professor de Ciência Política da Universidade Libanesa, Emile Maacaroun, o acordo conseguiu frear uma situação em que o país estava à beira do colapso.

A recente onda de violência deixou 67 mortos e 200 feridos em confrontos entre governistas e oposição, na pior crise do Líbano desde o fim da guerra civil (1975-1990).

"Claro que o perigo de novos problemas políticos ainda é real, mas ao menos o país foi colocado no ‘eixo’", disse Maacaroun.

"O Líbano tem uma história de rompimento de acordos, mas Doha fez com que as instituições libanesas voltassem a funcionar".

Para ele, a eleição de um presidente, a abertura de bloqueios impostos ao centro da capital e a formação de um novo governo colocam o Líbano no caminho da normalidade institucional.

"Ainda é cedo para comemorar, mas isso já é um começo."

Líbano
Repórter visita campo de refugiados.
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