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Campanha em Santa Cruz termina com disputa acirrada | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A dois dias do referendo no Departamento (Estado) de Santa Cruz, a região mais rica da Bolívia, o governo do presidente Evo Morales e os líderes da campanha pelo "sim" à autonomia intensificaram seus discursos contra e a favor da votação. A ministra de Desenvolvimento Rural, Susana Rivero, pediu a abstenção dos bolivianos nas urnas, durante discurso na localidade de El Torno, em Santa Cruz. "Este processo de autonomia pretende beneficiar pequenos grupos. Essa idéia de autonomia pretende dividir o país", disse ela. "Não votem". Ao mesmo tempo, líderes do movimento pelo "sim" à autonomia realizaram caravanas e buzinaços em diferentes bairros de Santa Cruz. "Vamos pelo sim, vamos pela autonomia", cantavam. Vários pontos deste departamento exibem faixas verde e branca – as cores da bandeira de Santa Cruz - e a palavra "Sí" pintada nos muros e nas vitrines das lojas. "Compareçam às urnas, votem pelo sim porque o sim vai significar mais empregos, mais prosperidade para todos", disse Branko Marinkovic, presidente do Comitê Cívico Pró-Santa Cruz, que lidera a campanha pela autonomia. Promessas Apesar dos discursos acirrados, a campanha terminou sem atos de violência. Mas representantes do governo e da oposição, que realiza este referendo, têm pedido calma, temendo enfrentamentos neste domingo entre os seguidores de Morales e os que apóiam a autonomia. Em La Paz, na quinta-feira, o secretário da Central Obreira Boliviana (COB), Pedro Montes, disse: "Estes estatutos são um crime contra a Bolívia". Ele pediu que os bolivianos pendurem a bandeira do país nas janelas das casas. "Assim, vamos mostrar que queremos a unidade e que somos contra os racistas", afirmou em referência aos que pregam a autonomia. Nas diferentes propagandas televisivas das duas campanhas destacam-se promessas ou informações sobre realizações de obras públicas e a geração de postos de trabalho. O governo Morales, que administra o caixa dos recursos do país, mostra onde já aplicou recursos em Santa Cruz. Os defensores do "sim" afirmam que com a autonomia, Santa Cruz será dona de seus recursos, gerados a partir da arrecadação de impostos e da venda dos recursos naturais que possui, como soja e hidrocarbonetos. Estima-se que Santa Cruz seja responsável por quase 40% da arrecadação nacional. Nas ruas de Santa Cruz, o que mais se escuta dos eleitores, que tendem a votar pelo "sim", é que eles estão cansados de viajar, constantemente, a La Paz, sede do governo central, para resolver qualquer questão burocrática. Federalismo A Bolívia é um país unitário, com as decisões concentradas nas mãos governo central. Ouvidos pela BBC Brasil, os analistas Gonzalo Chávez, professor de mestrado de economia da Universidade Católica, de La Paz, e Ximena Costa, professora de ciências políticas da Universidade Maior de San Andrés, de La Paz, afirmaram que a Bolívia caminha, no longo prazo, para o federalismo. "A Bolívia está vivendo um parto, mas ainda não sabemos, depois dos referendos, qual será a cara desse bebê, que poderá se chamar federalismo boliviano", disse Ximena Costa, recordando que além de Santa Cruz, os departamentos de Beni, Pando e Tarija, a chamada "meia lua", também já marcaram referendos sobre suas autonomias até junho. "Só espero que estes processos de autonomia incluam as comunidades indígenas", acrescentou a analista. |
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