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Atualizado às: 01 de maio, 2008 - 00h49 GMT (21h49 Brasília)
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Para Wall Street, Brasil não deve relaxar após grau de investimento

O Brasil precisa tirar proveito do título de grau de investimento concedido pela agência de riscos Standard & Poor's, mas não pode relaxar no que diz respeito a reduzir sua dívida interna, afirmaram representantes do mercado financeiro ouvidos pela BBC Brasil.

Ao adquirir a nota ''investment grade'' - dada pela agência a países considerados pouco propícios à inadimplência -, o Brasil passa a ser capaz de atrair grandes fundos de investimento internacionais que, por conta das regras de suas instituições, só podem investir em países julgados de baixo risco.

Para Nilson Strazzi, diretor de mercados emergentes do banco Barclays Capital, a avaliação da S&P é algo ''superpositivo'', porque ''abre as portas do Brasil para uma série de novos investimentos'' e ''dá uma solidez maior à balança de pagamentos''.

Mas Strazzi afirma que o Brasil deve aproveitar agora para ''tirar vantagem de sua credibilidade'' e procurar reduzir a carga representada por sua dívida.

''Em relação ao PIB, a dívida interna não está numa porcentagem muito elevada, está abaixo de 50%, mas o problema é que as taxas de juros são muito elevadas", diz Strazzi.

"Então, é preciso aproveitar esse 'investiment grade' para alongar essa dívida, aumentar a duração da dívida interna para um longo prazo.''

Vulnerabilidades

Felipe Illanes, economista-chefe para a América Latina do banco Merrill Lynch, afirma que a avaliação da agência de risco ''não reflete nada de novo, mas reflete uma coisa boa: o resultado de anos administrando uma política econômica adequada''.

''Mas isso não quer dizer que se pode relaxar, porque o contexto externo é difícil. É preciso seguir reduzindo as vulnerabilidades'', diz Illanes.

Entre elas, o economista cita a dívida pública do país. ''Quando você compara o Brasil com outros países na categoria BBB- (o primeiro nível da categoria grau de investimento), um fator diferenciador é que a dívida pública do Brasil continua sendo muito alta.''

Illanes afirma que o Brasil também precisa amenizar a sua pesada carga tributária, a fim de atrair mais investimentos.

''É preciso reduzir a carga tributária e sua estrutura não muito eficiente. Mas essa redução da carga tributária é difícil de ser feita se o gasto corrente do governo continua elevado da maneira em que está", diz.

A Standard & Poor's advertiu que o Brasil deveria buscar uma redução mais significativa de sua dívida pública e um maior equilíbrio de sua balança fiscal.

''Políticas capazes de reduzir o nível e a rigidez dos atuais gastos governamentais fortaleceriam a situação fiscal do Brasil e facilitariam um declínio dos juros reais, com implicações positivas para o crescimento e um maior declínio do fardo representado pela dívida'', afirma a analista da S&P Lisa Schineller.

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