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Atualizado às: 17 de abril, 2008 - 08h46 GMT (05h46 Brasília)
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Azul de inveja

Deu blues nos blues. Os blues são os policiais de Nova York e também a variante triste do jazz. E também a cor azul. A polícia de Nova York está "azul" porque acha que ganha mal.

Em comparação com os subúrbios ricos e algumas cidades, os policiais de Nova York ganham menos. O salário inicial é de US$ 25.100 por ano nos primeiros seis meses, enquanto fazem o curso na academia de policia.

Quando terminam, o salário salta para US$ 32.700 e, cinco anos depois, bate em US$59.588. Este é o salário médio de uma família nos Estados Unidos.

Não inclui horas extras, turnos noturnos e fins de semana que levam o salário para US$ 77 mil, em média, depois de 6 anos de trabalho. Poucas profissões, como professores universitários ou jornalistas, por exemplo, estão nesta faixa salarial em 6 anos.

Com estes números, Nova York acha difícil recrutar policiais e, pior, a cada ano 3 mil se aposentam com 20 anos de serviço e 50% por cento do salário. A revista The Economist informa que 40% da força policial hoje foi contratada depois de 2002, mas há outros números.

A cada 2 ou 3 anos os policiais podem ser promovidos com concursos e um detetive do 3º grau , o mais baixo, ganha US$ 100 mil dólares por ano. Os sargentos representam um sétimo da força e também estão na faixa dos 100 mil. Um em cada 20 policiais é tenente com salário de US$ 122 mil por ano.

Só 19% dos americanos ganham mais de US$ 100 mil por ano e um número menor ainda têm aposentadoria e seguros de saúde como policiais. Quem vive 80 anos - e estamos falando de uma das profissões mais seguras do país - vai receber US$ 1.9 milhão, e além de bombeiros, não há outra profissão que dá aposentadoria depois de 20 anos de serviço com 50% do salário.

Quem entra para a polícia com 21 anos, aposenta aos 41 e começa outra carreira. O bairro de Queens e a ilha Staten estão cheios de policiais aposentados com novos empregos e piscina no quintal.

Então por que a chiadeira? Inveja dos policiais de Los Angeles, que ganham exatamente o dobro, têm Malibu, biquínis e sol o ano inteiro.

Inveja dos policiais do município de Sufflolk, um subúrbio rico de Nova York, onde chegam a US$ 94 mil em 5 anos.

Inveja dos policiais de Seattle, que ganham US$ 67 mil e a cidade vem recrutar em Nova York, porque aqui os jovens recebem o melhor treinamento do país na academia de polícia. Seattle economiza na preparação dos recrutas e oferece US$ 5 mil de ajuda de custo para a mudança.

Muitos vão embora. De 41 mil em 2001, o maior número da história, o contingente novaquiorquino foi reduzido a 36 mil policiais e o prefeito Bloomberg mandou cortar mais mil.

Resultado? De 2001 a 2008 a redução do crime foi de 25% e este ano a crminalidade continua caindo. Melhor informação, cobrança dos comandantes responsáveis e operações como “Impacto”, que concentra policiais recém formados em áreas de maior crime são algumas das explicações. Salários e benefícios não estão entre os principais motivos da redução do crime.

Até quando a fórmula menos polícia-menos crime vai funcionar ninguém sabe, mas cada vez morremos menos de inveja.

Arquivo - Lucas
Leia as colunas anteriores escritas por Lucas Mendes.
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