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Atualizado às: 04 de março, 2008 - 09h12 GMT (06h12 Brasília)
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O raio fulminante

Lucas Mendes

Nenhum outro político americano despertou paixões e conquistou jovens como Barack Obama. Num país onde um terço do eleitorado abaixo de trinta tem ignorado as urnas, o senador vem atraindo milhões deles e em várias primarias bateu Hillary Clinton numa proporção de até 3 por 1 entre os jovens. A surpreendente vitória de Iowa, que mudou o rumo desta eleição, foi graças ao voto jovem. Eles são 35 milhões.

O discurso é parte da sedução, mas as principais armas de Obama são organização e o contato direto. Em Iowa, por exemplo, ele levava lideres estudantis para os bastidores antes ou depois dos comícios e pedia a ajuda deles. Políticos tradicionais em geral reservam estes momentos para outros políticos e celebridades.

Obama tinha a verba e o verbo para convencê-los a contatar outros estudantes pessoalmente, por computador ou por telefone e multiplicar as conexões. Hoje, esta malha obamista está montada no país inteiro, em alguns Estados melhor do que noutros, e disposta a trabalhar para ele se for eleito presidente.

Os republicanos foram pioneiros neste esquema de conexões em 2000, quando conquistaram o voto jovem e a vitória de George Bush.

Em 2004, os democratas e organizações independentes registraram milhões de jovens candidatos, inclusive em Ohio, mas John Kerry não tinha a inspiração, e o terror estava a favor de George Bush.

Este ano, o movimento SAVE ( Students Association For Vote Empowerment), nos informa que o voto jovem quadruplicou no Tennessee, triplicou na Geórgia, Oklahoma e Missouri, e duplicou em Massachusetts.

Obama e Michele fizeram vários comícios nas universidades de Ohio. Em Columbus, com 50 mil alunos e 20 mil empregados, a universidade pode fazer a diferença numa eleição apertada.

Aqui, Hillary tentou armar um esquema semelhante ao de Obama, mas Pete Steele, vice-presidente da União dos Estudantes, acha que o senador deve levar o voto jovem.

Não o dele. Pete desconfia da experiência e do discurso de Obama, e a União Estudantil não tomou posição a favor de nenhum dos dois candidatos, uma neutralidade que pode diminuir o prejuízo de Hillary na contagem final.

O que preocupa ops jovens?

O que preocupa os jovens americanos? Pelas pesquisas, o custo do seguro de saúde, a guerra do Iraque e um bom emprego lideram a lista e, nestas três questões, as diferenças entre os dois candidatos são mínimas. Obama leva a vantagem de ter sido contra a guerra antes de Hillary Clinton, mas, em saúde e empregos, a senadora é tão ou mais confiável do que ele - mesmo representando o passado e as brigas.

Ele conseguiu vender a mensagem da mudança, mas um memorando sobre o Nafta deu munição a Hillary, que, desde segunda-feira, acusa Obama de ser um político como os outros e de mentir sobre o acordo comercial que é considerado um palavrão em Ohio.

Um assessor de Obama teria dito ao cônsul do Canadá em Chicago que as críticas do senador ao NAFTA são apenas retórica de campanha. Ela passou o dia batendo e ele explicando que não foi bem assim, como um político comum e não um acima da canalhice de Washington.

Numa eleição apertada, com 8% de indecisos, ela tem boas chances em Ohio, porque entre os eleitores que decidem na última hora, a maioria tem votado em Hillary.

A demografia do Estado favorece a senadora. Maioria branca, alta percentagem de velhos, grande população de classe média baixa sofrendo as conseqüências da fuga ou fechamento de fábricas e siderúrgicas em que um empregado ganhava US$ 18 por hora.

250 mil destes empregos desapareceram nos últimos oito anos, eliminados pelo computador e tecnologia ou fugiram para o México e para a Ásia onde pagam aos empregados US$ 100 dólares ou menos por semana.

Para complicar o cenário, há uma tempestade de gelo a caminho do sul do Estado jogando mais de cem raios por hora. Ohio já tem problemas com as novas máquinas eleitorais e a tempestade pode não só atrasar os resultados como provocar processos.

Obama conseguiu assumir a liderança no Texas, mas para o golpe definitivo, um raio fulminante em Hillary, ele precisa dos jovens de Ohio.

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