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Atualizado às: 19 de fevereiro, 2008 - 10h36 GMT (08h36 Brasília)
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Oração e inspiração em Wisconsin
Lucas Mendes

O DNA político de Winsconsin tem um gene com viés independente. Lá, Robert La Follete, pai e filho, racharam com os partidos tradicionais e criaram dois partidos independentes, um em 1924, outro em 1934.

Desde então o Estado ganhou a reputação de imprevisível e, em 1960, foi decisivo na vitória de John Kennedy sobre Hubert Humphrey. As conexões kennedianas - de família e de inspiração- estão sendo lembradas, usadas e abusadas nesta campanha pelo senador Obama.

Nas últimas 12 eleições, democratas e republicanos dividiram os votos para a presidência, mas o Estado tem 40% de eleitores registrados como independentes, 29% como democratas e 24% republicanos.

Na primária do Partido Democrata de hoje todos podem não só votar como se registrar como eleitores no mesmo dia. Isto representa uma vantagem para o senador onde algumas pesquisas o favorecem com uma margem de 4%, mas ontem, pela primeira vez, surgiram pesquisas com Hillary na liderança.

Wisconsin tem uma grande população de estudantes contra a guerra, uma classe afluente de profissionais com curso superior e uma população negra concentrada na maior cidade, Milwaukee. Este é o forte de Obama.

A favor de Hillary há uma população empobrecida pela fuga de fábricas, fazendeiros em crise e uma percentagem alta de velhos. E há os católicos, que representam 37% da população do Estado e, em geral, favorecem Hillary. Este pode ser o voto decisivo.

A senadora havia discretamente desistido Wisconsin e investido o dinheiro cada vez mais minguado nas campanhas de Ohio e do Texas, que têm primárias no dia 4 e onde uma derrota pode ser fatal.

Na semana passada os assessores mudaram os planos e a senadora passou dois dias em campanha no Estado para tentar estancar a sangria que começou depois da Super Terça, com oito derrotas sucessivas.

Com mais duas, em Wisconsin e Havaí, serão dez vitórias e uma ampliação na apertada contagem de delegados. Depois de tantas primárias, apenas 67 separam os dois candidatos.

Na primária do Havaí, terra onde o senador nasceu e passou parte da infância, há 20 delegados em jogo e ele é o favorito com grande margem, mas Hillary despachou a filha Chelsea para lá para tentar encolher a derrota.

Os dois candidatos planejavam passar mais tempo na última semana em Wisconsin, mas a neve e as chuvas bloquearam os planos. Ele fez mais comícios no Estado e ambos dispararam a primeira série de comerciais negativos pela televisão, mas o senador investiu três vezes mais em comerciais nas maiores cidades.

Entre outras críticas, a senadora disse que Obama é muita conversa e pouca substância e que palavras não significam nada. O importante é ação.

Ele respondeu perguntando se "Eu tenho um Sonho" (Martin Luther King) e se “A única coisa que devemos temer é o medo" (Franklyn Roosevelt) eram só palavras.

Bom argumento, mas um plágio. Logo ele, campeão de frases e carisma, roubou literalmente a frase de um discurso do governador e amigo de Massachussetts Devel Patrick. Parece banalidade, mas o erro, citar sem creditar, dominou o noticiário da tarde e foi a matéria de abertura das redes nacionais de TV.

Para piorar, sua mulher, Michele, noutro comício, disse que só agora, pela primeira vez, se sentiu realmente orgulhosa dos Estados Unidos. Desde então não parou de dar explicações sobre a palavra “realmente”.

Dois erros primários que podem complicar uma primária que estava garantida.

Será que vai incomodar o eleitor como incomodou a imprensa? Se Obama conseguir outra vitória na base percentual de 60/40 como em Maryland, Virgínia e Washington D.C. vai não só reforçar seu "momento" como a humilhação pode devastar Hillary Clinton em Ohio e no Texas.

Hoje a senadora reza pelo voto católico em Wisconsin.

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