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Atualizado às: 06 de fevereiro, 2008 - 10h07 GMT (08h07 Brasília)
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Lucas Mendes: Tudo resolvido pela metade
Lucas Mendes

A noite prometia mais do que uma vitória, um irresistível rolo compressor de Barack Obama e a possibilidade de uma vitória de Mitt Romney na Califórnia capaz de conter o senador McCain.

Entre os democratas, os primeiros números pareciam confirmar as expectativas com Obama devastador no primeiro resultado: a Georgia. Era previsível, mas não a grande margem. De onde vinha tanto impulso?

Há três semanas Obama estava 17 pontos atrás de Hillary e na Super Terça ameaçava não só conquistar o maior prêmio, a Califórnia, como humilhar a adversária em vários estados do nordeste, inclusive Nova York, onde uma vitória por menos de 10 pontos para Hillary seria considerado uma humilhação.

Ele é o candidato mais interessante, mais atraente, me explicou Maurice “Mickey” Carroll, um dos mais conhecidos analistas de pesquisas, diretor do Polling Insitute.

-Qual a atração, além do carisma?

-Ele carrega a promessa de mudança, disse o pesquisador.

-Mas porque cresceu tanto em pouco tempo? Foi a vitória de Iowa? Os endossos de Oprah e dos Kennedys?

-Também, mas acima de tudo o entusiasmo e a inspiração que ele gera.

Ideologicamente, o senador e a senadora são gêmeos. A diferença é uma unha na questão do seguro de saúde e outra na guerra do Iraque. O senador foi contra deste o princípio, Hillary acreditou no governo Bush.

Nas questões econômicas, imigração, é quase impossível distinguir as diferenças e Obama já disse que gostaria de ter com ele quatro dos principais assessores e ministros de Bill Clinton.

As semelhanças são confirmadas pelos eleitores democratas: 71 por cento ficariam felizes com uma vitória de Hillary, 72 % com uma de Obama e compareceram às urnas em números muito superiores do que os republicanos.

Pouco depois da entrevista com Maurice Carrol, os primeiros resultados na Georgia confirmavam as previsões das pesquisas e nesta Superterça, para variar, poderiam estar super certas.

A segunda hora trouxe mais do que um alívio para a senadora : vencia em Nova Jérsei, onde os números das pesquisas na véspera favoreciam Obama por uma margem mínima. Ali, no quintal da senadora, onde ela liderava por quase 20 pontos pontos duas semanas antes, teria sido devastador.

Do lado republicano os resultados confirmavam as pesquisas e favoreciam o senador McCain, o mais velho candidato numa campanha presidencial, famoso entre os colegas senadores e seu time da campanha pelo estopim curto.

Mas nesta noite da Superterça ele não tinha motivo para brigar. Para cada resultado negativo ele tinha dois, três positivos e mesmo sem os números da Califórnia, o senador parecia confirmar a liderança entre os republicanos.

Ao contrário da harmonia que existe entre os candidatos democratas, John McCain e Mitt Romney se detestam e piores ainda são as relações de Romney com Huckabee. Mitt Romney gastou 30 milhões de dólares em comerciais de televisão.

Mike Huckabee gastou três e ganhou mais estados no sul do que Romney, numa das raras provas que mais dinheiro nem sempre é o fator decisivo nesta campanha.

Uma das vitórias mais gratificantes para a senadora foi em Massachussets onde, depois de uma briga com Bill Clinton, o senador Ted Kennedy mobilizou sua máquina a favor de Barack Obama e a distância entre os dois candidatos era dia a dia mais curta. Mas faltaram dias, e as pesquisas estavam mais erradas do que certas.

O mais importante era a Califórnia que, sozinha, com seus números superlativos, pode fazer uma super terça e um super candidato e a senadora mostrou mais uma vez que as pesquisas não são confiáveis nesta campanha. Ela ganhou entre mulheres, homens, latinos e liderava ate entre jovens. Que houve com a inspiração de Obama?

De uma previsão de empate na véspera, com 30 por cento dos votos apurados, ela liderava com uma margem sólida, imbatível, suficiente para sair do seu quarto no hotel e cantar vitória diante de partidários eufóricos.

Superterça, Super Decisão? Pela metade. Super para o senador MacCain, mas os dois adversários prometem continuar na campanha. Com certeza um super fracasso para Mitt Romney.

Mais super para a senadora, que ganhou mais votos e delegados. Mas Barack Obama ganhou em mais estados, inclusive Missouri, considerado o mais confiável indicador das campanhas eleitorais americanas. Desde 1950, quem conquistou Missouri, conquistou a Casa Branca.

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