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Atualizado às: 04 de março, 2008 - 03h39 GMT (00h39 Brasília)
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Ataque às Farc impediu libertação de Betancourt, diz Correa

O presidente do Equador, Rafael Correa
Correa diz que gestionava libertação de 12 reféns das Farc
O presidente do Equador, Rafael Correa, disse que as gestões que mantinha com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para a libertação de mais 12 reféns, entre os quais estaria a ex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt, foram frustradas pelo governo da Colômbia com o ataque à guerrilha em território equatoriano.

“Lamento comunicar-lhes que as conversas estavam bastante avançadas para libertar 12 reféns, entre eles Ingrid Betancourt. Tudo foi frustrado pelas mãos belicistas e autoritárias”, afirmou Correa, na noite desta segunda-feira, no Palácio de Governo, em Quito.

Correa, que rompeu relações diplomáticas com a Colômbia, afirmou que a libertação de Betancourt e de outros 11 reféns poderia ter motivado os ataques que resultaram na morte de Raúl Reyes, o número 2 das Farc e responsável pelas negociações de libertação dos seqüestrados.

“Não podemos descartar que essa foi uma das motivações para o ataque por parte dos inimigos da paz”, disse o presidente equatoriano, em referência ao governo da Colômbia.

Classificando de "mentira" a explicação de seu colega colombiano Álvaro Uribe, que apresentou a operação realizada no sábado como de auto-defesa "em um suposto combate que não houve", Correa acusou neste domingo os militares colombianos de "assassinato".

Na operação realizada dentro do território equatoriano, 19 guerrilheiros foram mortos.

"Motivos humanitários"

Imediatamente após a incursão militar, o governo da Colômbia passou a acusar o governo equatoriano, em especial o ministro de Segurança, Gustavo Larrea, de manter vínculos com a guerrilha.

Correa contestou, afirmando que o contato com a guerrilha foi realizado por motivos humanitários.

“Cabe perguntar o que buscava o governo Uribe eliminando a Raúl Reyes em território equatoriano e logo inventando fatos para vincular-nos com as Farc. Por acaso o objetivo é desestabilizar o governo que se negou a participar do Plano Colômbia?”, questionou Correa.

O Plano Colômbia é um projeto financiado pelo governo dos Estados Unidos, oficialmente para combater as guerrilhas colombianas e o narcotráfico no país.

Traição

Correa questionou a posição do governo colombiano ao optar por “regionalizar” o conflito armado colombiano, empurrando o conflito para o Equador e a Venezuela, e pediu solidariedade aos países latino-americanos para frear o que classificou de “precendente nefasto”.

“Nenhum governo antes havia se atrevido a regionalizar seu conflito. Isso é inédito e inadmissível”, disse.

“Os governos da América Latina saberão unir-se e deter este nefasto precedente que tentou impor o governo da Colômbia e que não pode ser justificado sob nenhum argumento.”

O presidente do Equador também acusou Uribe de traição. “À Colômbia, sempre declaramos a paz, oferecemos a mão solidária, mas fomos traídos. Sabemos que não é a traição de um povo e sim de um homem e de um governo. Saberemos defender a pátria”, afirmou.

Correa começa nesta terça-feira um giro por cinco países, incluindo o Brasil, para explicar a crise diplomática com a Colômbia. A viagem começa no Peru e passa por Brasil, Venezuela, Panamá e República Dominicana.

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