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Atualizado às: 28 de fevereiro, 2008 - 00h29 GMT (21h29 Brasília)
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Após libertar reféns, Farc exigem retirada militar

Imagens de TV dos reféns chegando à Venezuela
Quatro ex-congressistas foram libertados pelas Farc nesta quarta
Os quatro ex-congressistas colombianos soltos nesta quarta-feira poderiam ser os últimos reféns que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) libertarão de maneira unilateral, antes que as regras de um novo acordo humanitário sejam estabelecidas, indicou o grupo rebelde.

Imediatamente após a entrega dos reféns, mantidos em cativeiro durante seis anos, as Farc emitiram um comunicado reiterando a exigência de que o governo colombiano realize uma retirada militar em uma zona que abrange 750 km2 para que um acordo humanitário seja firmado.

"Esta libertação é a mais contundente manifestação de que pode mais a humanidade que a intransigência”, diz o comunicado.

"Agora deve ser seguida pela retirada militar de Pradera e Florida, durante 45 dias, com a presença guerrilheira e a comunidade internacional como garantias. Para pactuar com o governo nesse espaço a libertação de guerrilheiros e prisioneiros de guerra em poder das Farc”, afirma o grupo rebelde.

Os ex-congressistas Gloria Polanco de Lozada, Luis Eladio Pérez, Orlando Beltrán e Luis Eduardo Gechem, libertados nesta quarta-feira, integram um grupo de 44 reféns que as Farc consideram passíveis de troca por guerrilheiros presos, dentro do previsto em um acordo humanitário. No grupo também está incluída a ex-candidata à Presidência da Colômbia Ingrid Betancourt.

A retirada militar é o principal ponto de controvérsia entre o governo de Álvaro Uribe e a guerrilha.

O ministro colombiano de Defesa, Juan Manuel Santos, afirmou que as negociações para um acordo humanitário podem ser realizadas em qualquer lugar da Colômbia ou no exterior e que “para libertá-los, como se acaba de demonstrar, não se requer nenhum tipo de retirada”.

Libertação

Após seis anos de cativeiro na selva colombiana, os ex-congressistas foram recebidos por seus familiares, que os aguardavam com flores e lágrimas, no aeroporto internacional de Caracas.

“Vocês não imaginam o horror de ter vivido em condições sub-humanas durante este tempo todo, estou voltando à vida (...). Vamos fazer o que estiver em nosso alcance para libertar a todos”, disse Luis Eladio Perez em uma conversa telefônica com o presidente venezuelano, Hugo Chávez.

O ex-congressista disse que a situação da ex-candidata Ingrid Betancourt é muito difícil e chamou a comunidade internacional a redobrar os esforços para libertá-la.

Logo depois, ao som dos hinos nacionais da Colômbia e da Venezuela, os ex-congressistas e seus familiares foram recebidos pelo presidente Chávez no palácio de governo.

Resgate

Dois helicópteros tipo MI, de fabricação russa, identificados com o logotipo do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), foram usados na operação de resgate.

Eles haviam saído de San Jose de Guaviare, na Colômbia, em direção ao ponto identificado pelas Farc na selva colombiana onde os ex-congressistas foram entregues.

Apesar da crise diplomática entre Caracas e Bogotá, o governo da Venezuela assumiu a coordenação da operação e disse estar disposto a continuar trabalhando por um acordo de paz entre os colombianos, apesar dos custos políticos que poderiam implicar este apoio.

“Estamos enfrentando uma campanha midiática de desprestígio, mas estamos disposto a suportá-la. Para nós, a vida e a solidariedade estão acima de qualquer cálculo político”, disse Jesse Chácon, ministro da Presidência.

“Continuaremos tentando uma saída negociada para o conflito”, afirmou.

Esta foi a segunda libertação de um grupo de reféns das Farc no período de um mês. Em janeiro, uma missão semelhante foi organizada para libertar Clara Rojas e Consuelo González de Perdomo, que foram mantidas em cativeiro durante seis anos.

Analistas consideram que, ao libertar unilateralmente alguns de seus reféns, as Farc pretendem abrir um espaço de diálogo político no campo internacional, já que internamente as condições para uma saída dialogada para o conflito colombiano parecem estar cada vez mais distantes.

Desde 2001, o governo de Álvaro Uribe, os Estados Unidos e alguns países europeus passaram a qualificar as Farc como um grupo terrorista.

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