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Colunista do Guardian defende entrada do Brasil no G8 | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O escritor Timothy Garton Ash, que mantém uma coluna semanal no jornal britânico The Guardian, defendeu a entrada do Brasil e outros cinco países no G8 – que reúne os líderes das nações mais industrializadas do mundo – como forma de melhorar a situação do planeta. Na coluna publicada nesta quinta-feira, de Davos, na Suíça, Ash afirma que uma maneira prática de cumprir o slogan da edição em andamento do Fórum Econômico Mundial em Davos, “Comprometido em melhorar o estado do mundo”, é expandir o G8 para G14, com a adição do Brasil, além da China, Índia, México, África do Sul e Indonésia. “Arbitrário? Com certeza. Falta de tato? Pode apostar. Profundamente ofensivo para alguns importantes países que não estão na lista? Obviamente – e eles vão reclamar. Mas às vezes, se você está comprometido em melhorar o estado do mundo, você tem que ser um pouco bruto.” O colunista afirma que um G8 mais representativo traria mais credibilidade para o grupo e suas decisões, principalmente no que tange a discussões e políticas sobre mudanças climáticas, proliferação nuclear, doenças ou pobreza. “Apesar de haver mais de 190 países no mundo, juntos, esses 14 Estados equivalem a três quintos da população mundial, mais de dois terços do PIB mundial, quase três quartos das emissões de dióxido de carbono e mais de 80% dos gastos com defesa.” “Com o crescimento da Ásia, é ainda mais absurdo que o principal grupo mundial não-oficial tenha um assento para a Itália, mas não para a China. O atual elenco do principal grupo oficial, o Conselho de Segurança da ONU, também não é muito satisfatório, mas é mais difícil de mudar.” Segundo Ash, o G8, ao contrário, é um grupo de “amigos”, e basta um convite deles para que novos membros sejam incluídos, como foi o caso da Rússia, nos anos 90. Ele diz que o argumento de que o clube ficaria “muito cheio” já não é válido. “A diferença qualitativa entre uma conversa de almoço entre oito ou 14 líderes não é tão grande. Os acordos-chave são feitos em pequenas conversas paralelas de qualquer jeito. O ganho em representatividade e no alcance global de compromissos em questões como mudanças climáticas, comércio e ajuda vão mais do que compensar pela perda da falsa intimidade.” O autor lembra ainda que outro argumento contra a expansão seria que os países que formam o G8 dividem valores comuns, e se o grupo crescer muito vai perder essa característica. Mas para ele, esse argumento já foi derrubado com a entrada da Rússia. “Os valores comuns indispensáveis devem ser mantidos em um nível mínimo. Digamos assim: compromisso em garantir um futuro para a humanidade neste planeta; uma estabilidade razoável para o sistema econômico mundial; dignidade humana para o maior número de seres humanos que permitam as políticas de interesse próprio dos Estados e o egoísmo dos eleitores? Com esses objetivos mínimos, até o presidente (russo, Vladimir) Putin pode se comprometer. E a antidemocrática China também.” O autor lembra ainda que além da China e Rússia, todos os outros países de um possível G14 iriam garantir uma base de liberdade ao grupo. “(A expansão) torna o clube menos ocidental, mas não necessariamente menos democrático. Índia, Brasil, África do Sul e México não são meras democracias eleitorais, mas classificadas pela Freedom House como países livres.” O colunista defende um novo critério de entrada no grupo que incluiria, além de poder e importância, algum grau de eficiência, um governo que responda por seus atos e algum elemento de representatividade regional. |
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