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Atualizado às: 09 de outubro, 2007 - 16h47 GMT (13h47 Brasília)
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Jean Charles tinha 'comportamento suspeito', diz policial
Jean Charles de Menezes
Jean Charles (JC) é seguido por dois policiais no metrô de Stockwell
Um dos policiais que seguiram Jean Charles de Menezes até a estação de metrô de Stockwell, em Londres, disse nesta terça-feira que o brasileiro apresentou comportamento suspeito momentos antes de ser morto pela polícia, em julho de 2005.

Em depoimento no tribunal que julga a ação da polícia no caso, o policial identificado como "Ken" disse ter ficado surpreso quando o brasileiro não demonstrou "complacência" ao notar a aproximação dos policiais dentro do vagão do metrô.

"O homem de jaqueta (Jean Charles) parecia estar dando empurrões e se moveu em direção à porta, o que me surpreendeu, porque não é esta a reação que eu esperaria de alguém que está sendo confrontado pela polícia", disse o policial.

"Eu não posso afirmar que ele estava tentando escapar, mas acho que ele não ia ficar no mesmo lugar em que estava antes".

"Mexendo com as mãos"

"Ken" ainda disse aos jurados que suspeitou quando o brasileiro começou a mexer com as mãos de forma estranha.

"Parecia que ele estava fazendo algo esquisito com as mãos. Suas mãos não eram de alguém com comportamento normal, ficavam se movendo em torno do torso", afirmou.

"Ken", que foi um dos policiais à paisana que seguiram Jean Charles de sua casa até a estação do metrô, ainda relatou o momento em que o colega "Ivor" imobilizou o brasileiro.

"Ivor agarrou Menezes e ambos caíram no assento em que ele estava. Neste momento, um dos policiais já estava com uma arma apontada para a cabeça de Menezes", relembra.

Ainda segundo o policial, os passageiros do vagão entraram em pânico ao presenciar os policiais atirando no brasileiro.

"Eu me lembro que muitos passageiros estavam em pânico e queriam sair do vagão imediatamente. Naquele ponto, o meu nível de adrenalina já estava lá no teto. Eu estava ansioso e com medo."

Em seu segundo dia de depoimentos, o policial "Ivor" disse ao tribunal que, ao entrar na estação de metrô perseguindo Jean Charles, achou que a operação poderia ficar "comprometida" e temeu pela "segurança do público".

"Eu não recebi nenhuma ordem pelo rádio ou qualquer indicação de que os policiais armados tinham sido designados para a operação. Eu não sabia que eles estavam vindo para o metrô."

Mudança de estratégia

Ao ver os policiais, "Ivor" diz ter compreendido que a "estratégia de inteligência" havia mudado e que, naquele momento, deveria prender o brasileiro.

A polícia londrina está sendo julgada por suposta violação de regras de saúde e segurança do público na operação do dia 22 de julho de 2005, que terminou com a morte de Jean Charles.

O brasileiro foi confundido com um suposto homem-bomba que estava sendo procurado.

O incidente aconteceu duas semanas após os atentados que mataram dezenas de pessoas na cidade e um dia após novos ataques frustrados.

Na segunda-feira, foram divulgadas imagens, registradas pelo circuito fechado de televisão da estação de metrô de Stockwell, que mostram os últimos minutos da vida do brasileiro.

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