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Atualizado às: 26 de setembro, 2007 - 05h00 GMT (02h00 Brasília)
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Soldados cercam templos e prendem ativistas em Mianmar
Monges budistas em protesto em Yangun
Governo quer evitar mais um dia de protestos liderados por monges
Soldados e tropas de elite chegaram na madrugada desta quarta-feira aos principais mosteiros e templos de Mianmar (a antiga Birmânia), ao final da primeira noite em que esteve em vigor um toque de recolher determinado pelo governo.

Entre os soldados estão unidades com experiência em lutar contra rebeldes nas regiões de fronteira.

Durante a noite, um dos principais ativistas pró-democracia do país, U Win Naing, de 70 anos, foi preso, segundo informou sua esposa à BBC.

Também foi detido um popular comediante de cinema de Mianmar, Zaganar. No fim de semana, o ator e outras celebridades locais haviam preparado uma refeição especial para os monges budistas que há vários dias lideram protestos contra o governo.

O toque de recolher, válido desde o cair da noite até o amanhecer nas duas principais cidades, Yangun (a antiga capital) e Mandalay, foi determinado na terça-feira pela junta militar que governa o país do Sudeste Asiático, em uma tentativa de evitar que as manifestações se repitam pelo nono dia consecutivo.

Segundo correspondentes da BBC na região, os militares aguardam com ansiedade o desenrolar desta quarta-feira, para ver se os manifestantes irão continuar protestando mesmo com as proibições impostas.

O governo proibiu a reunião de grupos de mais de cinco pessoas e colocou tropas para patrulhar as ruas.

Tanto essa proibição quanto o toque de recolher noturno estarão em vigor por 60 dias.

Resposta militar

De acordo com o correspondente da BBC Jonathan Head, no sul da Ásia, a temida resposta militar ao que se transformou em um levante popular contra o governo do país parece estar mais próxima, com o deslocamento dos soldados para alguns dos principais pontos onde foram realizados os últimos protestos.

A TV estatal tem repetido alertas para que a população não participe dos protestos e para que os monges budistas não se intrometam na política.

Os monges, que são venerados em Mianmar, têm liderado dezenas de milhares de manifestantes pelas ruas das principais cidades do país, pedindo democracia e o fim da repressão militar.

Os protestos, provocados por um aumento no preço do combustível anunciado em agosto, ganharam a adesão de trabalhadores, atores e políticos, incluindo membros da Liga Nacional pela Democracia, partido da principal líder da oposição, Aung San Suu Kyi, que está em prisão domiciliar.

Nas marchas realizadas nesta terça-feira, alguns manifestantes diziam frases como "Nós queremos diálogo". Outros simplesmente gritavam "democracia, democracia". Muitos carregavam bandeiras.

Os estudantes, que nos primeiros dias apenas formaram uma corrente e aplaudiram a passagem dos monges, também protestaram ativamente nesta terça-feira.

Segundo Head, os jovens monges que lideram as manifestações prometeram manter o movimento, mas agora parece grande a chance de confronto com o Exército.

Teme-se que se repita o episódio de 1988, quando as últimas manifestações pró-democracia realizadas em Mianmar foram reprimidas violentamente pela junta militar, em confrontos que deixaram cerca de 3 mil mortos.

Reações

Depois de dias de silêncio, a junta militar falou sobre os recentes protestos pela primeira vez na noite de segunda-feira, afirmando que estava "pronta para agir".

Nesta terça-feira, a situação em Mianmar foi mencionada algumas vezes durante a Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu que a junta militar demonstre prudência diante da escalada dos protestos.

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, anunciou o endurecimento das sanções contra o governo de Mianmar.

Os Estados Unidos mantêm em vigor proibições de venda de armas para Mianmar. As restrições também afetam todas as exportações do país, novos investimentos e serviços financeiros.

Antes das manifestações desta terça-feira, a China, um dos principais aliados de Mianmar, e a União Européia também já haviam feito declarações a respeito da situação no país asiático.

O governo chinês pediu estabilidade. A União Européia pediu à junta militar que inicie um processo real de reforma política.

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