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Atualizado às: 29 de junho, 2007 - 04h50 GMT (01h50 Brasília)
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Cruz Vermelha condena abusos em Mianmar

Criança refugiada na fronteira entre Mianmar e Tailândia
Denúncias incluem abusos contra crianças em áreas de fronteira
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha denunciou publicamente o que considera "graves abusos" de direitos humanos cometidos pela junta militar que governa Mianmar, a antiga Birmânia.

Em uma das raras vezes em que abandonou sua postura normalmente neutra, o comitê afirmou que as ações das autoridades de Mianmar estão causando "imenso sofrimento" a milhares de pessoas.

As declarações são consideradas a mais dura crítica pública feita pela Cruz Vermelha desde que o grupo denunciou o genocídio em Ruanda, há mais de 10 anos.

Entre as acusações do grupo contra o regime militar do país estão o uso de milhares de prisioneiros como carregadores das Forças Armadas. Segundo a Cruz Vermelha, esses prisioneiros são privados de alimentação e, em alguns casos, assassinados.

A Cruz Vermelha também denunciou "abusos repetidos" contra homens, mulheres e crianças em comunidades na fronteira entre Mianmar e a Tailândia. Esses abusos incluiriam violência, assassinatos e destruição de suprimentos alimentares.

A organização disse que todos esses abusos foram testemunhados por seus próprios funcionários, ou documentados em entrevistas privadas com civis.

O comitê afirmou que o governo de Mianmar se negou a discutir ou a tomar medidas contra os abusos.

No final do ano passado, as autoridades de Mianmar fecharam escritórios da Cruz Vermelha no país e proibiram os funcionários da organização de visitar prisões.

Analistas acreditam que o fato de a Cruz Vermelha ter tornado públicas essas acusações é um sinal de que a organização, que normalmente é reticente e se orgulha de obter resultados em discussões confidenciais, tem poucas expectativas em relação ao governo de Mianmar.

Nesta quinta-feira, o subsecretário assistente de Estado americano, Eric John, manteve um raro encontro com ministros do governo de Mianmar em Pequim, na China.

No encontro, o diplomata americano pediu a libertação da ativista pró-democracia Aung San Suu Kyi.

Segundo um porta voz do Departamento de Estado, Tom Casey, as discussões foram "francas", mas não há sinal de que o governo militar de Mianmar tenha mudado de opinião a respeito dessa questão.

Suu Kyi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 1991 por seus esforços em prol da democracia em Mianmar, passou 11 dos últimos 18 anos presa. Desde 2003 ela está em prisão domiciliar.

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