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Polícia reprime manifestantes em Mianmar | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A polícia em Mianmar (a antiga Birmânia) usou cacetetes e gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes - inclusive monges - que se concentravam na pagoda Shwedagon, na antiga capital, Yangun, de onde vem partido passeatas nos últimos dias, disseram testemunhas nesta quarta-feira. Os policiais avançaram contra a multidão diante da pagoda no momento em que os manifestantes se preparavam para um nono dia de marchas de protesto pela cidade. Soldados e tropas de elite chegaram na madrugada desta quarta-feira aos principais mosteiros e templos de Mianmar (a antiga Birmânia), ao final da primeira noite em que esteve em vigor um toque de recolher determinado pelo governo. Analistas temem uma repetição da violência de 1988, quando soldados abriram fogo contra manifestantes desarmados, matando milhares de pessoas. Em mais um sinal de que as autoridades militares estão reprimindo os protestos, dois importantes dissidentes foram presos. Aparentemente pequenos grupos de monges estão determinados a desafiar pedidos dos militares que governam o país para encerrar os protestos, de acordo com o correspondente da BBC na Ásia, Andrew Harding.
Tanto essa proibição quanto o toque de recolher noturno estarão em vigor por 60 dias. A polícia bateu em seus próprios escudos com os cacetetes e gritou ordens para dispersão antes de correr atrás de monges e seus partidários. Testemunhas dizem que alguns manifestantes cairam no chão em meio ao caos. "Nós já decidimos arriscar nossas vidas pelo povo, embora possam haver alguns choques", disse um importante monge à agência de notícias France Presse antes da reação da polícia nesta quarta-feira. "Nós vamos mostrar primeiro nossa bondade", concluiu o monge. Detidos Durante a noite, um dos principais ativistas pró-democracia do país, U Win Naing, de 70 anos, foi preso, segundo informou sua esposa à BBC. Também foi detido um popular comediante de cinema de Mianmar, Zaganar. No fim de semana, o ator e outras celebridades locais haviam preparado uma refeição especial para os monges budistas que há vários dias lideram protestos contra o governo. O toque de recolher, válido desde o cair da noite até o amanhecer nas duas principais cidades, Yangun e Mandalay, foi determinado na terça-feira pela junta militar que governa o país do Sudeste Asiático, em uma tentativa de evitar que as manifestações se repitam pelo nono dia consecutivo. Segundo correspondentes da BBC na região, os militares aguardam com ansiedade o desenrolar desta quarta-feira, para ver se os manifestantes irão continuar protestando mesmo com as proibições impostas. A TV estatal tem repetido alertas para que a população não participe dos protestos e para que os monges budistas não se intrometam na política. Os monges, que são venerados em Mianmar, têm liderado dezenas de milhares de manifestantes pelas ruas das principais cidades do país, pedindo democracia e o fim da repressão militar. Os protestos, provocados por um aumento no preço do combustível anunciado em agosto, ganharam a adesão de trabalhadores, atores e políticos, incluindo membros da Liga Nacional pela Democracia, partido da principal líder da oposição, Aung San Suu Kyi, que está em prisão domiciliar. Nas marchas realizadas nesta terça-feira, alguns manifestantes diziam frases como "Nós queremos diálogo". Outros simplesmente gritavam "democracia, democracia". Muitos carregavam bandeiras. Os estudantes, que nos primeiros dias apenas formaram uma corrente e aplaudiram a passagem dos monges, também protestaram ativamente nesta terça-feira. Reações Depois de dias de silêncio, a junta militar falou sobre os recentes protestos pela primeira vez na noite de segunda-feira, afirmando que estava "pronta para agir". Nesta terça-feira, a situação em Mianmar foi mencionada algumas vezes durante a Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu que a junta militar demonstre prudência diante da escalada dos protestos. O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, anunciou o endurecimento das sanções contra o governo de Mianmar. Os Estados Unidos mantêm em vigor proibições de venda de armas para Mianmar. As restrições também afetam todas as exportações do país, novos investimentos e serviços financeiros. Antes das manifestações desta terça-feira, a China, um dos principais aliados de Mianmar, e a União Européia também já haviam feito declarações a respeito da situação no país asiático. O governo chinês pediu estabilidade. A União Européia pediu à junta militar que inicie um processo real de reforma política. |
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