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Monges desafiam governo militar em Mianmar; assista | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Dezenas de milhares de monges budistas e civis voltaram nesta terça-feira às ruas de Yangun, a capital de Mianmar (antiga Birmânia), em protesto contra o governo militar, desafiando ordens do Exército. Os manifestantes se reuniram perto da Pagoda Shwedagon, onde estavam estacionados veículos militares, e seguiram pelas ruas da principal cidade do país. Soldados patrulhavam as ruas e, através de alto-falantes, avisavam os moradores de que os protestos poderiam ser "dispersos pela força militar". A mídia oficial pediu aos monges que ponham fim aos protestos e não se metam em política, mas a organização clandestina por trás das manifestações afirma que o movimento vai continuar. Na segunda-feira houve protestos em 25 cidades em Mianmar, com dezenas de milhares de pessoas marchando nas ruas de Yangun. Estudantes também estão participando abertamente dos protestos desta terça-feira, em vez de simplesmente formarem uma corrente, como na segunda-feira. A junta militar que governa o país, e que em 1988 reprimiu violentamente os protestos causando a morte de cerca de 3 mil pessoas, finalmente quebrou o silêncio sobre as manifestações iniciadas na semana passada e declarou que está pronta para "adotar ações" contra os monges. Sanções Também nesta terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, deverá anunciar novas sanções contra o governo de Mianmar, afirmou a Casa Branca. O anúncio deverá ser feito durante o discurso do presidente americano na Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Segundo a Casa Branca, Bush está inclinado a impor restrições financeiras e cancelar o visto americano dos membros do governo do país asiático. De acordo com o correspondente da BBC Jonathan Beale, em Washington, os Estados Unidos já deixaram claro que estão se preparando para tomar medidas unilaterais contra a junta militar de Mianmar. A decisão do governo americano foi tomada depois de oito dias consecutivos de protestos populares liderados por monges budistas contra o regime. Segundo Beale, Washington espera que suas ações levem outras nações a agir e incentivem os protestos nas ruas do país. Junta As manifestações em Mianmar começaram por causa do aumento nos preços dos combustíveis no mês passado, mas agora os monges querem que o governo entregue o poder. A junta já afirmou que está pronta para agir contra os monges. Nesta segunda-feira, o ministro de Religião de Mianmar, general Thura Myint Maung, alertou os manifestantes para que "não quebrem as regras e as leis budistas". Maung disse que os protestos são promovidos por "elementos destrutivos" que se opõem à paz no país. A TV estatal disse que as manifestações são fomentadas por comunistas e grupos de mídia e estudantes exilados. Os monges budistas são venerados em Mianmar e, segundo correspondentes, qualquer medida da junta militar para sufocar as manifestações poderia provocar mais protestos. Mesmo assim, há temores de que possa se repetir o episódio de violência de 1988, quando as últimas manifestações pró-democracia realizadas em Mianmar foram reprimidas violentamente pela junta militar, em confrontos que deixaram cerca de 3 mil mortos. Reações De acordo com o correspondente da BBC na Ásia Andrew Harding, o governo de Mianmar deverá enfrentar grande pressão de seu vizinho mais próximo, a China, para evitar derramamento de sangue e instabilidade. A União Européia já pediu à junta militar que utilize "máxima prudência" ao lidar com os protestos e que aproveite a oportunidade para "iniciar um processo de real reforma política". O Dalai Lama, líder espiritual tibetano que vive exilado na Índia, também manifestou apoio aos monges de Mianmar em sua busca por "liberdade e democracia". O embaixador britânico em Mianmar, Mark Canning, disse que os líderes do país estão agora em terreno desconhecido, mas expressou preocupação com uma possível reação do governo. A Aliança de todos os Monges Budistas da Birmânia, que lidera os protestos, prometeu manter as manifestações até que "a ditadura militar seja varrida da terra". |
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