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Atualizado às: 25 de setembro, 2007 - 04h33 GMT (01h33 Brasília)
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Bush 'deverá anunciar novas sanções contra Mianmar'
Protestos em Mianmar
Protestos liderados pelos monges já se espalharam por 25 cidades
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, deverá anunciar nesta terça-feira novas sanções contra a junta militar que governa Mianmar (a antiga Birmânia), afirmou a Casa Branca.

O anúncio deverá ser feito durante o discurso do presidente americano na Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.

Segundo a Casa Branca, Bush está inclinado a impor restrições financeiras e cancelar o visto americano dos membros do governo do país asiático.

De acordo com o correspondente da BBC Jonathan Beale, em Washington, os Estados Unidos já deixaram claro que estão se preparando para tomar medidas unilaterais contra a junta militar de Mianmar.

A decisão do governo americano foi tomada depois de oito dias consecutivos de protestos populares liderados por monges budistas contra o regime.

Segundo Beale, Washington espera que suas ações levem outras nações a agir e incentivem os protestos nas ruas do país.

Junta

As manifestações em Mianmar começaram por causa do aumento nos preços dos combustíveis no mês passado, mas agora os monges querem que o governo entregue o poder.

A junta já afirmou que está pronta para agir contra os monges. Nesta segunda-feira, o ministro de Religião de Mianmar, general Thura Myint Maung, alertou os manifestantes para que "não quebrem as regras e as leis budistas".

Maung disse que os protestos são promovidos por "elementos destrutivos" que se opõem à paz no país.

A TV estatal disse que as manifestações são fomentadas por comunistas e grupos de mídia e estudantes exilados.

Os monges budistas são venerados em Mianmar e, segundo correspondentes, qualquer medida da junta militar para sufocar as manifestações poderia provocar mais protestos.

Mesmo assim, há temores de que possa se repetir o episódio de violência de 1988, quando as últimas manifestações pró-democracia realizadas em Mianmar foram reprimidas violentamente pela junta militar, em confrontos que deixaram cerca de 3 mil mortos.

Desafio

Alguns representantes dos monges apelaram para que todo o país se junte a eles em sua campanha para derrubar o governo.

Os protestos já se espalharam por mais de 25 cidades.

Segundo o correspondente da BBC na Ásia Andrew Harding, os protestos desta segunda-feira são uma demonstração de desafio ao governo impensável há apenas algumas semanas.

Em Yangun (ex-Rangum), a principal cidade do país, estima-se que entre 50 mil e 100 mil pessoas tenham ido às ruas nesta segunda-feira.

Os monges entraram no centro da cidade divididos em cinco colunas, uma delas se espalhando por mais de 1 quilômetro, e foram saudados por milhares de moradores com aplausos.

Muitos civis se uniram ao protesto, incluindo membros da Liga Nacional pela Democracia, partido da principal líder da oposição, Aung San Suu Kyi, que passou a maior parte dos últimos 17 anos em prisão domiciliar.

Reações

De acordo com Harding, o governo de Mianmar deverá enfrentar grande pressão de seu vizinho mais próximo, a China, para evitar derramamento de sangue e instabilidade.

A União Européia já pediu à junta militar que utilize "máxima prudência" ao lidar com os protestos e que aproveite a oportunidade para "iniciar um processo de real reforma política".

O Dalai Lama, líder espiritual tibetano que vive exilado na Índia, também manifestou apoio aos monges de Mianmar em sua busca por "liberdade e democracia".

O embaixador britânico, Mark Canning, disse que os líderes de Mianmar estão agora em terreno desconhecido, mas expressou preocupação com uma possível reação do governo.

A Aliança de todos os Monges Budistas da Birmânia, que lidera os protestos, prometeu manter as manifestações até que "a ditadura militar seja varrida da terra".

Monges protestam em MianmarProtesto de monges
Ação é contra governo militar.
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