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Refugiados palestinos embarcam nesta quinta para o Brasil | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Pouco mais de 30 palestinos que viviam no Iraque deixam nesta quinta-feira a Jordânia em direção ao Brasil. O grupo de 32 pessoas, formado principalmente de famílias e idosos, é a primeira leva de um total de 117 palestinos que o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) vai estabelecer no país até o fim de outubro. Eles embarcam em Amã, no fim da tarde, e chegam ao aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, às 05h30 de sexta-feira. De lá, segundo informações prévias, parte do grupo seguiria para Porto Alegre. Todos eles fugiram do Iraque – a maioria de Bagdá – pouco depois da invasão americana, em 2003, quando milícias xiitas passaram a perseguir e matar palestinos no país. Durante quatro anos, eles enfrentaram as temperaturas extremas do verão e do inverno no deserto da Jordânia, vivendo em tendas no campo de refugiados de Ruweished, a 70 km da fronteira iraquiano-jordaniana. Negociação A ida dos palestinos para o Brasil só foi possível depois de insistência de Brasília em relação à Autoridade Palestina, que prefere ver concentrados seus emigrantes em determinados países, como Canadá, Estados Unidos e Austrália. Para o governo palestino, isto facilitaria a volta de palestinos no momento da eventual criação de um Estado palestino. "Mas o governo brasileiro não desistiu. Disse à Autoridade Palestina que lamenta muito, mas que este é um problema humanitário, que é mais importante do que o lado político", afirmou Anne-Marie, do Acnur. Parte dos palestinos ficará em São Paulo, e outra parte, para o Rio Grande do Sul.
O Acnur e o Conare têm a função de facilitar a adaptação dos refugiados no Brasil, para evitar o que ocorreu com um grupo de afegãos que viviam no Irã em 2001 e se estabeleceram em Porto Alegre. Devido à diferença cultural, a maior parte dos 25 refugiados voltou para o Afeganistão depois de algum tempo. O Acnur calcula que 15 mil palestinos ainda vivem no Iraque. Segundo a ONU, pelo menos 186 foram assassinados nos últimos anos. Quando os últimos refugiados palestinos deixaram Ruweished em rumo ao Brasil, o campo vai ser fechado. Esperança A notícia de que haviam sido aceitos pelo Brasil – e não por um país de língua inglesa, como o Canadá ou a Nova Zelândia, destino de outros refugiados – causou felicidade, mas também certa apreensão no grupo. "Alguns revelaram medo em ir para São Paulo, porque ouvem dizer que é uma cidade muito violenta", disse à BBC Brasil Anne-Marie Deutschlander, representante do Acnur que acompanhou a trajetória dos palestinos desde 2003. "O argumento que eu dou para eles é muito simples: 'Vocês esqueceram que vieram de Bagdá?'" As orientações sobre o Brasil que os palestinos começaram a receber há três meses, quando o Acnur anunciou a transferência, parece ter amenizado o receio de pelo menos alguns. "Isso aqui é Guantánamo-Ruweished. Nós não podemos sair para nada, apenas se estivermos doentes e, mesmo assim, só com escolta policial", disse o ex-motorista de táxi Ahmed Mostafa Mahmoud, que mora no campo com a mulher e dois filhos – incluindo Maan, de três anos, que nasceu no campo.
O pouco contato que os refugiados têm com o mundo exterior ocorre por meio da televisão por satélite e telefones celulares pré-pagos, que parentes e amigos ajudam a abastecer com créditos quando vão visitá-los. "Nós não fazemos nada aqui e isso durou quatro anos. Estamos todos muito cansados deste lugar. Praticamente já conheço estes livros de cor", diz o professor de língua Árabe Safah Ghazi Kamel, 32, mostrando os livros de poesia que conseguiu carregar com ele quando fugiu. O professor nasceu em Bagdá e viveu sua vida toda na capital iraquiana, mas pretende se estabelecer no Brasil de forma definitiva, onde quer dar aulas de árabe para brasileiros em São Paulo, onde vai morar a partir de outubro. "Eu não tenho saudades do Iraque. As pessoas de lá me odeiam e eu não quero voltar." |
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